Minas Gerais entrou no centro das estratégias de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para o segundo turno da disputa presidencial. O estado, que entregou 48,29% dos votos a Lula em 2022, registra agora uma disputa acirrada, com o petista buscando a virada e o candidato do PL tentando ampliar a vantagem obtida no primeiro turno.
"O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. [...] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos", afirmou Camilo Aggio, professor da UFMG.
Destaques:
- Minas Gerais tem 22% de abstenção no primeiro turno (3.735.098 eleitores)
- Flávio Bolsonaro venceu em 9 das 10 maiores cidades mineiras
- Próximos atos de campanha previstos até 25 de outubro
Minas Gerais como microcosmo eleitoral
Desde 1989, todos os presidentes eleitos no Brasil venceram em Minas Gerais, consolidando o estado como um espelho dos resultados nacionais. Pesquisadores o descrevem ainda como um "estado pêndulo", refletindo mudanças de preferência ao longo de três décadas.
No primeiro turno deste ano, a abstenção chegou a 21,08% em todo o país, enquanto em Minas foram 22%, totalizando 3.735.098 eleitores ausentes, recorde histórico.
"Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás", avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Visitas e alianças estratégicas
Lula chegou a Minas pela primeira vez após a primeira rodada, na sexta‑feira (16), iniciando em Juiz de Fora, onde obteve 49,58% dos votos. Acompanhado da prefeita Margarida Salomão (PT) e da senadora Marília Campos (PT), o petista também visitou Ipatinga, onde ficou atrás com 31,47% contra 61,11% de Flávio.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro esteve em Capelinha (15), obtendo 48,20% dos votos, ao lado do senador Domingos Sávio (PL) e do deputado Nikolas Ferreira (PL), que lidera a votação federal com 3.118.784 votos.
O governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) também apoia Flávio, embora tenha faltado ao evento em Capelinha por mal‑estar.

Mobilização nas ruas e impacto nas urnas
A campanha tem contado com atos populares em diversas cidades. O maior evento pró‑Lula ocorreu em 9 de outubro, na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte, seguido por manifestações em Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia e Divinópolis.
Na quinta‑feira (15), a capital recebeu outra mobilização no campus da UFMG, com a presença de Ana Elisa, André Janones, Duda Salabert e outros parlamentares. Na mesma noite, um ato a favor de Flávio foi realizado em Nanuque, no Vale do Mucuri.
"A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas", afirmou Felipe Nunes.
"Embora eu tenda a achar que o apoio de Nikolas e de Cleitinho seja mais importante pela visibilidade digital que os dois conquistaram, essa associação é um grande ativo para a campanha de Flávio. [...] O PT tem um pouco mais de fragilidade. Embora Marília Campos tenha sido eleita, ainda há uma rejeção muito grande à sigla em Minas Gerais", pontuou Camilo Aggio.
Cenário eleitoral final
Lula venceu em 452 de 853 municípios, mas ficou atrás no somatório de votos, com Flávio liderando em 401 cidades. O candidato do PL lidera nas nove das dez maiores cidades mineiras, enquanto Lula mantém vantagem em Juiz de Fora.
Analistas indicam que a capacidade de transformar apoio de lideranças locais em comparecimento às urnas será decisiva nas próximas semanas, antes da data limite de 25 de outubro para a campanha.