O presidente Donald Trump propôs mudar o nome da inteligência artificial para "Superinteligência" (SI) durante discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado. A proposta foi acompanhada de enquetes na rede social Truth Social, sem explicação sobre o processo de alteração ou apoio do setor tecnológico.
"o nome inteligência artificial faz soar como se ela fosse falsa", afirmou Trump. "de agora em diante, todos os documentos dos EUA e, espero, de todo o mundo, vão utilizar o nome Superinteligência", completou.
Destaques:
- Proposta de renomear IA para "Superinteligência"
- Anunciada na ONU e em enquetes na Truth Social
- Não há definição de prazo ou mecanismo de implementação
Enquetes e reação nas redes
Trump abriu duas enquetes distintas. A primeira ofereceu as opções "Inteligência Superior (IS)", "Inteligência Extrema (IE)" e "Inteligência Suprema (IS)". Dois dias depois, lançou nova enquete com "Superinteligência" e "Inteligência Superior". Em nenhuma das postagens explicou a motivação ou o impacto da mudança.
Comentários de especialistas
Anderson Soares, considerado o brasileiro mais influente em IA e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), destacou que o conceito de inteligência ainda carece de definição precisa nas ciências e na tecnologia.
"O que chamamos hoje de inteligência artificial está relacionado à capacidade das máquinas de realizar tarefas que associamos à inteligência humana", afirmou Soares.
Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), classificou o discurso de Trump como "jogada de marketing" sem efeito prático.
"Primeiro, ele disse 'bem-vindos ao novo mundo da superinteligência' e completou com 'vamos ver se isso vai dar certo'. Isso revela uma jogada de marketing para chamar atenção, sem efeito prático", disse.
Allan Pscheidt, pesquisador da UFPE, comparou a proposta a uma demonstração de poder dos EUA na corrida pela AGI (Inteligência Artificial Geral).
"Quando Trump vem com a ideia de cunhar o termo 'superinteligência', ele está avisando ao mundo que os EUA vão atingir a AGI muito em breve e que, com isso, vão mostrar sua soberania tecnológica", afirmou.
Histórico do termo IA
O nome "inteligência artificial" foi formalizado em 1955 por John McCarthy, diferenciando-se da cibernética de Norbert Wiener. Pesquisadores como Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester também contribuíram. Desde então, a tecnologia evoluiu de pesquisas acadêmicas para aplicações cotidianas como reconhecimento facial, veículos semiautônomos e assistentes virtuais.
Percepção pública
Pesquisa do Pew Research Center indica que 52% dos brasileiros estão mais preocupados que animados com o avanço da IA. Nos EUA, cerca de nove em cada dez americanos compartilham essa preocupação, segundo levantamento da CNN.
"Introduzir um termo como 'superinteligência' ou 'inteligência suprema' pode soar como uma ameaça aos humanos e aumentar a rejeição do público", explicou Zanchettin.
A proposta de Trump, ao contrário de uma mudança técnica, parece refletir uma estratégia política para posicionar os EUA como líderes na corrida pela AGI, sem consenso da comunidade científica.