Minas Gerais registrou 2.253 votos em 52.060 seções após as 17h do último domingo (25), quando ocorreu o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (27) e reflete a extensão do horário de votação até as 19h, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Decisão judicial e prorrogação da votação
A medida foi tomada após a coligação de Lula (PT) e a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) relatarem dificuldades de transporte e condições climáticas adversas em diversas localidades. Zanin determinou a extensão de duas horas, até às 19h (horário de Brasília), para todas as seções que ainda estivessem abertas.
"Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até às 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento", afirmou o ministro.
Em seguida, Zanin especificou que a prorrogação deveria ser aplicada apenas nos locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas.
"Determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados", declarou.
Impacto nacional e operacional
Em todo o país, 34.393 votos foram registrados após as 17h, considerando 497.333 seções que fecharam além do horário previsto. Em Minas, os 2.253 votos foram computados entre 17h e 18h.
Durante coletiva de avaliação do segundo turno, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, elogiou o trabalho das equipes técnicas para garantir o cumprimento da decisão judicial, destacando adaptações nos sistemas, nas rotinas da Justiça Eleitoral e cuidados adicionais com a segurança de servidores e mesários.
Pedidos de prorrogação das campanhas
A coligação de Lula protocolou petição ao TSE e ao STF solicitando a extensão do horário em municípios afetados por problemas de transporte público. A demanda abrangia nove estados – São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro – e incluía três municípios baianos (Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas).
A campanha de Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação de duas horas em municípios de Minas Gerais (Belo Horizonte, Poços de Caldas e áreas da Região Metropolitana sem energia elétrica) e do Rio Grande do Sul (São Borja, Itaqui e Uruguaiana), afetados por fortes chuvas.
Irregularidades apontadas nas petições
Entre as principais irregularidades descritas nos pedidos ao TSE estavam:
- São Paulo: apenas 60% da frota de ônibus circulando, com escassez no Centro, Zona Leste e Avenida Paulista.
- Alagoas: falta de transporte intermunicipal, filas superiores a uma hora e denúncias de cobrança indevida de passagem.
- Pernambuco: dificuldades no acesso à gratuidade em ônibus intermunicipais.
- Roraima: recusa de empresas contratadas em cumprir rotas eleitorais, prejudicando comunidades indígenas.
- Piauí e Paraíba: redução de frota e vídeos mostrando coletivos passando direto por pontos.
- Rio de Janeiro e Pará: frota reduzida e longas esperas em Petrópolis, São Gonçalo (RJ) e região do Marajó (PA).