Paralisação de obras na Região Norte

Ao menos cinco obras de prevenção a alagamentos e deslizamentos estão paralisadas em Belo Horizonte neste início de chuvas. O levantamento da TV Globo, baseado no Portal da Transparência da prefeitura, apontou interrupções em serviços de drenagem, estabilização de encostas e construção de bacias de detenção.

Na Ocupação Vitória, a recuperação de áreas degradadas e a implantação de sistemas de drenagem pluvial foram suspensas por interferência com obra da Copasa. O contrato soma R$ 2 milhões com aditivos e a obra tinha 31 % de execução.

Em Ocupação Esperança, a mitigação de risco geológico e estabilização foram paralisadas; o contrato ultrapassa R$ 3 milhões e apenas 23 % da obra estava concluída.

Nas vilas Mariquinhas e Boa União, a estabilização de encostas avançou apenas 4,5 %, com orçamento próximo a R$ 1,5 milhão. O contratado solicitou detalhamento do projeto executivo.

Reservatórios Vilarinho II e Nado I, na Região de Venda Nova, permanecem inoperantes há cerca de um ano devido a indícios de irregularidades contratuais.

"A gente está fazendo os investimentos nas obras que a gente pegou paralisadas, que estavam com problemas contratuais. A gente vai retomar no ano que vem. E, para o futuro, a gente está projetando investimento de mais de R$ 1,5 bilhão para os próximos cinco, seis anos em macrodrenagem, para a gente conseguir mitigar e resolver ao longo do tempo todos os alagamentos que tem em Belo Horizonte", afirmou Leonardo Gomes, secretário de Obras e Infraestrutura.

Destaques:

  • 5 obras paralisadas na capital
  • Copasa e Urbel citam interferências e revisões de projetos
  • Retomada prevista para 2027 ou início de 2025, dependendo da obra

Interdição e nova ordem de serviço na Rua Augusta

No bairro Jardim Vitória, a Rua Augusta Sacchetto Scalzo, conhecida como Corte de Pedra, está interditada desde março após vistoria que apontou risco geológico elevado. Moradores reclamam do acesso alternativo, que obriga a percorrer 2 km a mais e gera acúmulo de lixo.

"O acesso alternativo aqui tem que subir lá para cima, andar uns 2 quilômetros a mais, além de se tornar um local de acúmulo de lixo", afirmou o advogado Célio Antunes.

Oito meses após a interdição, a prefeitura lançou ordem de serviço para obras emergenciais de estabilização dos paredões e do solo, com custo estimado em quase R$ 4 milhões e conclusão prevista para o primeiro semestre do próximo ano.

Rua Augusta Sacchetto Scalzo, no bairro Jardim Vitória, em BH, está interditada desde março
Rua Augusta Sacchetto Scalzo, no bairro Jardim Vitória, em BH, está interditada desde março — Foto: TV Globo/ Reprodução

Reações da prefeitura e das empresas

A prefeitura informou que as obras nas ocupações dependem da conclusão da implantação das redes da Copasa. A companhia declarou que as intervenções estão em andamento e que grande parte dos serviços já foi executada, permanecendo à disposição para esclarecimentos e eventuais intervenções.

A Urbel (Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte) apontou alterações nas condições da encosta nas vilas Mariquinhas e Boa União, exigindo revisão dos projetos, com previsão de retomada em 2027.

No Jardim Vitória, a Defesa Civil monitora o trecho interditado. A prefeitura ressaltou que o risco de agravamento durante o período chuvoso justificou a contratação emergencial das obras.