Parlamentares de oposição da Argentina cobraram nesta terça‑feira (27) uma investigação sobre a possível passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) pelo país antes de sua suposta fuga para os Estados Unidos. O pedido segue a publicação de um jornal argentino que indicou que o senador teria passado por Puerto Iguazú, cidade fronteiriça com o Brasil.
O governo do presidente Javier Milei, aliado político de Flávio, afirmou que não há registros de entrada do senador em território argentino. A oposição, porém, exige esclarecimentos sobre a travessia da fronteira e as circunstâncias da viagem, segundo o jornal espanhol El País.
Destaques:
- Parlamentares argentinos pedem investigação sobre passagem de Flávio Bolsonaro
- Governo de Javier Milei nega registros de entrada
- Pedido formal de informações foi apresentado na Câmara dos Deputados argentina
Pedido formal das autoridades argentinas
A senadora peronista Juliana Di Tullio solicitou que o governo argentino esclareça se Flávio usou o território do país para deixar o Brasil.
“O governo argentino, por meio de Diego Santilli [ministro do Interior], deve explicar se Bolsonaro usou nossa fronteira e nosso território para fugir do Brasil”, afirmou.
A deputada Myriam Bregman, da Frente de Esquerda, também cobrou esclarecimentos e criticou o discurso de combate ao crime adotado por políticos de direita.
Tramitação do pedido na Câmara argentina
O deputado socialista Esteban Paulón apresentou um pedido formal de informações ao Executivo na Câmara dos Deputados da Argentina. Ele quer saber se existem registros de entrada ou saída de Bolsonaro do país e se o governo recebeu notificações sobre restrições judiciais ou retenção de documentos de viagem.
Entre as hipóteses discutidas pelos congressistas estão a de que Flávio teria cruzado a fronteira a pé, com documento brasileiro, ou utilizado o passaporte italiano.
Declarações das autoridades migratórias
A Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que não possui registros da entrada de Flávio Bolsonaro no país. O órgão verificou a documentação de uma aeronave e de sua tripulação em Puerto Iguazú, concluindo que os documentos estavam regulares e que não havia plano de voo que incluísse a família Bolsonaro.
O porta‑voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, declarou que não havia pedido de asilo apresentado por Bolsonaro.
Contexto judicial no Brasil
Flávio Bolsonaro estava proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse e suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. O senador deveria ter entregue seus passaportes nesta terça‑feira (27), mas não o fez.