PF indica diretoria do BRB por ignorar falhas em 90% da carteira Master
A Polícia Federal (PF) apresentou relatório parcial que indica a Diretoria Colegiada (DICOL) do Banco de Brasília (BRB) por ter continuado operações com o Banco Master mesmo após receber, em agosto de 2024, um alerta interno sobre a qualidade dos ativos. O documento aponta que aproximadamente 90% da carteira adquirida apresentava falhas ou não atendia aos critérios do BRB.
"Mesmo diante da reiterada rejeição dos ativos apresentados, a orientação não foi interromper as aquisições, mas exigir que o MASTER encontrasse novos créditos que permitissem a continuidade das operações", destaca o documento.
Destaques:
- 90% da carteira do Master apresentava falhas
- Diretoria do BRB recebeu alerta interno em agosto de 2024
- 13 das 14 notas executivas foram aprovadas antes de pareceres técnicos
Alerta interno e continuidade das negociações
Um gerente do BRB informou que 90% dos créditos recebidos do Master não atendiam aos critérios internos. Apesar do diagnóstico, a diretoria manteve as negociações e, segundo o relatório, alterou critérios de avaliação para ampliar o volume aceito.
Aprovações irregulares e fracionamento de compras
A investigação revela que 13 das 14 notas executivas foram aprovadas antes da conclusão dos pareceres técnicos. O DICOL, limitado a decisões de até R$ 750 milhões, fracionou as aquisições em 25 transações que totalizaram R$ 17,5 bilhões, ultrapassando 23 vezes o limite permitido.
Indiciados e contexto da Operação Compliance Zero
A PF apontou 15 pessoas, entre elas Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex‑presidente do BRB, como indiciados em diferentes fases da Operação Compliance Zero. Costa e Vorcaro permanecem presos.
"A defesa de Daniel Vorcaro tomou conhecimento do relatório parcial apresentado pela Polícia Federal no Inquérito nº 5026/STF, que promove o indiciamento de Daniel. Trata-se de um ato açodado e afoito, que antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado", afirmou a defesa.
Reação da defesa de Paulo Henrique Costa
A defesa de Paulo Henrique Costa contestou o indiciamento, alegando que o ex‑presidente do BRB detectou irregularidades e exigiu garantias de R$ 25 bilhões, além de ter comunicado o Banco Central sobre as fraudes. A defesa afirma que não há prova de prejuízo ao BRB e que a prisão preventiva permanece sem revisão judicial.
Próximos passos da investigação
A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para prosseguir nas apurações, enquanto peritos ainda analisam documentos e fluxos financeiros. O caso deve continuar sob escrutínio judicial, com possibilidade de novas decisões sobre a manutenção das prisões preventivas.