A bancada do Partido Liberal (PL) deve alcançar 28 senadores em 2027, representando mais de um terço da Casa. O cenário impõe um desafio de articulação para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para os parlamentares de esquerda do PT, PSB e PDT.

Destaques:

  • PL terá 28 senadores, maior bancada desde 1988
  • Senadores da esquerda planejam alianças e diálogo
  • Eleição do presidente do Senado ocorre em fevereiro de 2027

Estratégia de alianças e diálogo

Senadoras estreantes Marília Arraes (PDT‑PE), Samanda de Lula (PT‑RN) e Marília Campos (PT‑MG) defendem a construção de alianças em pautas específicas, o diálogo com adversários e a mobilização da sociedade para impedir retrocessos em direitos sociais.

"Para evitar retrocessos, será preciso combinar atuação parlamentar, articulação política e mobilização da sociedade", disse Samanda.

Expectativas da direita e pautas de costumes

Senadores reeleitos Cid Gomes (PSB‑CE) e Humberto Costa (PT‑PE) alertam para a tentativa da direita de avançar em pautas de costumes, como projetos que restringiriam o direito ao aborto nos três casos previstos em lei.

"Há diálogo com algumas pessoas, mas a grande maioria segue uma orientação única. Fazem questão de apresentar emendas. Uma bancada muito ativa em apresentar propostas que são maléficas para a população brasileira e fazem um tipo de oposição que é uma oposição sem muito diálogo", afirmou Humberto Costa.

Humberto Costa é senador eleito pelo PT
Humberto Costa é senador eleito pelo PT — Foto: Reprodução/TV Globo

Perfil dos novos parlamentares

Costa classifica os senadores eleitos para 2027 como mais "radical e agressivo" que os atuais. Apesar disso, ele acredita que o governo Lula terá maioria para aprovar projetos já "acertados", como a proposta de fim da escala de trabalho 6x1.

Disputa pelo comando do Senado

A eleição do presidente do Senado, prevista para fevereiro de 2027, pode envolver apoio à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), porém o petista condiciona apoio à ausência de concessões em temas como anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Prioridades das senadoras

Marília Arraes enfatiza a defesa dos direitos das mulheres e a necessidade de avaliar o compromisso de cada parlamentar, enquanto Marília Campos pretende usar sua experiência como ex‑prefeita de Contagem para buscar alianças municipais, independentemente da orientação partidária.

"Retrocesso se evita de dois jeitos. Um é firmeza em direito do trabalhador, das mulheres, na proteção social e na democracia. Não tem negociação. O outro é ter voto, e voto se constrói com relação. Quem conversa com os colegas o ano inteiro tem mais condição de virar uma votação na hora decisiva", afirmou Marília Campos.

Visibilidade nas comissões e no plenário

As três senadoras entrevistadas pretendem combinar atuação nas comissões, apresentação de projetos e uso da tribuna para dar visibilidade a pautas prioritárias, como segurança, emprego, renda, saúde e direitos das mulheres.

"Vou usar a tribuna, sim, sempre que Minas precisar ser ouvida e sempre que houver ataque a direitos. Mas o que muda a vida das pessoas se decide muito nas comissões, nas relatorias, na conversa de gabinete. Prefiro gastar minha energia mais aprovando do que só denunciando", declarou Marília Campos.

Marília Arraes (PDT)
Marília Arraes (PDT) — Foto: Reprodução/TV Globo