O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, nesta terça‑feira, um inquérito para apurar suposta lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz. O ministro Alexandre de Moraes foi designado relator do caso.

"Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holding, verificou‑se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento da conta", afirmou a PF em relatório.

Destaques:

  • Inquérito no STF sobre lavagem de dinheiro
  • Relator: ministro Alexandre de Moraes
  • Caso subiu ao STF em 8 de outubro

Origem da investigação

A apuração começou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal (PF) investigava crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso de casas de apostas. A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrou e‑mails que indicavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como "usuário master" da conta da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.

Transferência para o STF

Devido ao foro especial do senador, o processo foi remetido ao STF em 8 de outubro, após a Procuradoria‑Geral da República analisar os indícios e recomendar a abertura da investigação. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou a medida, confirmada posteriormente pelo g1.

Antecedentes e outras apurações

Este é o segundo inquérito que tem Flávio Bolsonaro como investigado no STF. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, foi aberto em julho e investiga o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Evidências apontadas pela PF

A polícia identificou, entre outros elementos, viagens do senador custeadas pela empresa Cathedral, controle efetivo de Willer Tomaz sobre a Rede Loto e a empresa RioPag, além de movimentações vultosas para a casa de apostas Blaze. O relatório também menciona registros de festas, encontros e documentos pessoais de Flávio encontrados no iCloud de Tomaz.

"Posteriormente, em e‑mail datado de 22/05/2025, foi expressamente solicitada [por Willer Tomaz] a exclusão de seu acesso, elemento que indica que o senador permanecia vinculado à conta bancária, ao menos sob a perspectiva operacional, até aquela data", disse a PF.

Reações de Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro

Em nota, Willer Tomaz negou qualquer crime e criticou a divulgação do inquérito, alegando uso indevido da polícia para fins eleitorais. Ele afirmou que a Rede Loto nunca operou como plataforma de apostas e que a Cathedral é apenas uma holding patrimonial, sem circulação irregular de recursos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, limitou a relação ao âmbito familiar, descartando qualquer vínculo comercial ou de controle sobre contas ou empresas de Tomaz. O senador acusou a divulgação de “Fake News” em período eleitoral.

"A única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias e qualquer tentativa de insinuar irregularidades a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos", declarou Flávio Bolsonaro.