O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, nesta noite de 18 de outubro, do primeiro debate direto no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O evento, realizado nos estúdios do Grupo Bandeirantes, em São Paulo, começou por volta das 20h15, atrasado em relação ao horário previsto.
“Bastou eu falar que não ia no debate, para você [Lula], no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse”, afirmou Flávio na ocasião.
“Espero que o debate seja uma aula de civilidade”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a sociedade está cansada de provocações. “Eu vim para discutir o Brasil.”
Destaques:
- Primeiro confronto direto entre Lula e Flávio no segundo turno
- Debate focou em segurança pública e combate ao crime organizado
- Próxima votação será em 25 de outubro
Debate inicia com atraso e estrutura de três blocos
O programa foi dividido em três blocos, com perguntas dos apresentadores e momentos de confronto direto entre os candidatos. Cada candidato dispõe de 15 minutos no confronto, conforme regras da Band. A mediação ficou a cargo dos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, com apoio de profissionais do Grupo Bandeirantes e de um pool de veículos que inclui TV Gazeta, TV Cultura, Jovem Pan e o jornal O Estado de S. Paulo.
Segurança pública como tema central
A primeira pergunta abordou segurança pública, incluindo o avanço do crime organizado, o domínio de facções e milícias e a proposta de redução da maioridade penal. Flávio Bolsonaro declarou que, se eleito, declarará “guerra ao narcoterrorismo” e classificará o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. Prometeu recuperar territórios e endurecer penas, citando a lei antifacção que pode levar líderes a até 80 anos de prisão.
Lula, em seguida, ressaltou que a segurança é responsabilidade dos estados pela Constituição de 1988 e apontou a PEC da Segurança Pública, que pode criar um Ministério da Segurança Pública caso seja aprovada pelo Senado. Reiterou a importância da Lei Antifacção, sancionada por ele em março, e defendeu a atuação conjunta de União, estados e municípios.
Cenário eleitoral apertado
Pesquisas recentes mostram a corrida extremamente equilibrada. Datafolha, divulgada em 15 de outubro, registrou 47% de intenção de voto para Flávio e 45% para Lula. O levantamento Quaest, de 14 de outubro, apontou 46% para Flávio e 44% para Lula. No primeiro turno, Flávio venceu Lula por cerca de 2,2 milhões de votos, diferença de 1,87 ponto percentual.
Ambas as campanhas apostam nos debates e na mobilização de rua para conquistar eleitores. A equipe de Lula pretende destacar medidas de apelo popular, enquanto aliados de Flávio planejam intensificar respostas aos ataques do presidente e dar maior visibilidade às propostas do senador.
Participação e postura dos candidatos
Flávio Bolsonaro chegou primeiro aos estúdios, por volta das 19h26, e afirmou que esperava o confronto direto desde o primeiro turno, prometendo “esfregar algumas verdades na cara” do presidente. Lula chegou depois, declarando que espera um debate que esclareça à sociedade as propostas de cada candidato.
O debate segue como um dos principais momentos da campanha, a uma semana da votação que definirá o próximo presidente da República, marcada para 25 de outubro.