A página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 2.033 alterações de locais de votação para o segundo turno das eleições de 2026, mas a contagem real é menor devido a endereços repetidos.

Destaques:

  • 2.033 seções eleitorais listadas como alteradas
  • Apenas 99 alterações permaneciam às 20h de domingo
  • TREs iniciam força‑tarefa para confirmar mudanças

Na sexta‑feira (16), o TSE havia divulgado 4,3 mil seções modificadas. Na tarde de domingo (18), o número caiu para 1.396 e, às 20h, restaram 99 alterações, embora ainda houvesse inconsistências na página oficial.

Divergências entre TSE e TREs

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) apontam diferenças significativas nos dados. No Paraná, o TSE indicava 61 alterações em 48 municípios, enquanto o TRE‑PR identificou mudanças em apenas oito locais de sete municípios. Em São Paulo, a página do TSE mostrava alterações em oito municípios (15 locais), mas o TRE‑SP confirmou mudanças apenas na 256ª Zona Eleitoral (Tucuruvi) e na 402ª Zona Eleitoral (Presidente Prudente).

No Rio de Janeiro, o TSE listou duas alterações, mas o TRE‑RJ informou que somente um local – no bairro de Brás de Pina – foi efetivamente alterado.

Casos de endereços idênticos

Em Escada (PE), o TSE registrou transferência da Escola Municipal Barão de Suassuna para o Grupo Municipal Barão de Suassuna, embora exista apenas uma escola com esse nome. O TRE‑PE reconheceu mudanças em apenas seis seções nos municípios de Floresta e Buíque, apesar de o TSE apontar alterações em 24 municípios.

Em Delmiro Gouveia (AL), o TSE indicou mudança da Escola Municipal José Correia dos Santos para o Grupo Escolar José Correia dos Santos, mas o TRE‑AL afirmou que nenhuma seção mudou de endereço.

"É importante que a gente diga de forma expressa, para não alimentar desinformação, que o endereço informado no e‑título está correto. Mas essa confusão com os números gera ruído e desconfiança num momento em que a Justiça Eleitoral deveria ser a fonte mais segura de informação", disse Emma Roberta Bueno.

Especialistas cobram clareza

A advogada eleitoral Emma Roberta Bueno e o advogado Fernando Naisser ressaltam a necessidade de comunicação ativa. Bueno sugere avisos pelo aplicativo ou sinalização nos prédios, enquanto Naisser enfatiza a urgência de consolidar o levantamento de seções alteradas para evitar que eleitores sejam desinformados.

"Não faz sentido que isso siga acontecendo durante a semana, porque aí tornaria praticamente impossível as pessoas serem informadas", afirmou Naisser.

Orientação aos eleitores

A Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores verifiquem o local de votação pelo aplicativo e‑título ou pelo Autoatendimento Eleitoral antes de se dirigirem às urnas.