A Volkswagen pretende congelar os salários de seus 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030, informou o Conselho Global de Trabalhadores da montadora nesta segunda‑feira (19). A medida, confirmada por reportagem do Süddeutsche Zeitung, pode representar perda de cerca de 10% no poder de compra dos trabalhadores até o fim da década.

O conselho recebeu informações internas sobre o plano da direção e classificou a proposta como “absurda” e “bastante irrealista”, antecipando forte resistência dos sindicatos.

Um porta‑voz do sindicato alemão IG Metall declarou:

"Na Volkswagen, a evolução salarial é decidida na mesa de negociações, não por decreto da diretoria executiva", afirmou um porta‑voz do sindicato.

A Volkswagen, ao ser contatada, recusou‑se a comentar, rotulando as questões como “especulações”. Um porta‑voz da empresa informou que a nova rodada de negociações, prevista para esta semana, será a oportunidade para discutir propostas relacionadas aos custos com pessoal.

Além do congelamento, as diretrizes globais de gestão, que devem entrar em vigor no quarto trimestre, preveem cortes na remuneração variável, pagamentos extras, benefícios e redução no número de postos de trabalho.

Conflito entre direção e sindicatos

Nos últimos meses, a relação entre a Volkswagen e os representantes dos trabalhadores se deteriorou. O CEO Oliver Blume avança com um plano de reestruturação considerado o mais radical da história da empresa, intensificando as tensões nas negociações.

Impactos esperados para os trabalhadores

Segundo o Süddeutsche Zeitung, a ausência de reajustes salariais pode reduzir em 10% o poder de compra dos funcionários até 2030, devido à inflação acumulada no período.

Próximos passos nas negociações

A nova rodada de negociações, agendada para esta semana, será o primeiro momento formal para discutir a proposta de congelamento salarial e as demais medidas de corte previstas pela diretoria.