Quem pretende comprar um imóvel enfrenta juros mais altos nos principais bancos privados do país. Bradesco, Itaú e Santander anunciaram aumentos nas taxas de financiamento entre 26 e 30 de setembro, afetando cerca de 55% do volume financiado no período de janeiro a setembro, segundo a Abecip.

Destaques:

  • Aumento de até 3 pontos percentuais nas taxas
  • Bancos privados ajustam preços
  • Caixa permanece em silêncio até divulgação de balanço

Reajustes nos principais bancos

O Bradesco elevou a taxa principal de 11,99% + TR para 15% + TR ao ano, com a faixa Private passando de 11,70% + TR para 13,60% + TR. O comunicado interno indica que a mudança reflete o aumento das taxas de juros do mercado.

"As condições finais de financiamento imobiliário são negociadas com análise individualizada das propostas, considerando o perfil do cliente e as características da operação", afirmou o banco.

O Itaú passou a cobrar 12,95% ao ano como taxa mínima a partir de 29 de setembro, com variações conforme o perfil do cliente; a faixa Private inicia em 12,89% + TR e para não correntistas chega a 14,85% + TR.

"O ajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações", afirmou o banco.

No Santander, a taxa saiu de 11,69% + TR para 12,49% + TR a partir de 30 de setembro. O banco destacou que acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário.

Fachada de agência do Santander
Fachada de agência do Santander — Foto: Divulgação

Caixa Econômica Federal não se pronuncia

A Caixa, líder nas contratações de imóveis, não informou se haverá reajuste. Em contato, o banco alegou estar em período de silêncio antes da divulgação do balanço e, portanto, não se manifestará sobre o tema.

Repercussão e recomendações

A advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário, classificou os aumentos como “surpreendentes”, ressaltando que, apesar da Selic estar em queda, os bancos se protegem pelos juros futuros, que subiram após as eleições.

"Mas faz sentido do ponto de vista do banco. O financiamento imobiliário é um crédito de longo prazo, e a instituição se protege com base nos juros futuros, que subiram após a eleição", disse Akamine.

Akamine recomenda comparar simulações entre bancos, observar o Custo Efetivo Total (CET) e verificar o índice de correção (TR ou IPCA) e o sistema de amortização (SAC ou Price) antes de fechar o contrato.