A Binance registrou o maior roubo de criptomoedas da história, com perda de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em um ataque que se estendeu por quase uma semana. Na mesma sequência, o Crédit Mutuel Arkéa, banco francês, informou desvio estimado em €100 milhões (R$ 615 milhões) na noite de 4 de abril.
Modus operandi distinto
Na Binance, os invasores acessaram carteiras de criptomoedas diretamente, possivelmente através do notebook comprometido de um engenheiro, que teria servido de ponto de entrada para saques não autorizados. "Nossa equipe de segurança está rastreando todo o caminho do ataque através do computador comprometido", afirmou a Binance.
No caso do Crédit Mutuel Arkéa, os hackers invadiram sistemas internos e transferiram recursos financeiros para outras instituições, convertendo‑os rapidamente em criptomoedas. O banco garantiu que contas de clientes não foram afetadas.
Identificação dos responsáveis
A empresa de análise de blockchain TRM Labs declarou ter "alta confiança" de que o ataque foi realizado pelo grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. A afirmação baseia‑se em "informações robustas dentro e fora da blockchain".

Mark Karpeles, ex‑chefe da Mt Gox, comentou que os invasores provavelmente acessaram chaves privadas de pelo menos duas carteiras da Binance. "A Binance parece ter dividido seus ativos em vários sistemas, garantindo que um ataque só possa afetar parte dos ativos, mas mesmo assim um único ataque é uma grande perda", disse Karpeles.
Repercussões e contexto internacional
O roubo à Binance ocorre em meio a uma onda de ciberataques que atingiu sistemas de refrigeração de supermercados em Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo. O banco francês também recebeu alertas de transações suspeitas do Kraken, que identificou transferências de valores elevados destinadas a um banco europeu.
Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, destacou que inteligência artificial pode potencializar a atuação dos hackers, facilitando a descoberta de vulnerabilidades e a automação de etapas do ataque. "Já existe, há algum tempo, um alerta de que as ferramentas e os modelos de IA poderiam potencializar a atuação desses criminosos", afirmou Igreja.
"Isso também é muito grave, porque pode ser um hacker que está na Coreia do Norte, por exemplo, atacando a Binance. A grande questão é que, onde houver uma fragilidade, muito possivelmente ela será explorada", disse o especialista.
Próximos passos
A Binance continua rastreando os caminhos de invasão e identificou outros pontos de comprometimento. O Crédit Mutuel Arkéa ainda não confirmou o valor divulgado pelo jornal Le Télégramme de US$ 133 milhões, mas indica que os recursos comprometidos estavam nessa ordem.
Autoridades internacionais monitoram o caso, enquanto analistas alertam para a necessidade de reforçar a segurança de sistemas financeiros que lidam com criptomoedas.