A Produção da indústria brasileira registrou queda de 0,8% entre agosto e setembro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo IBGE nesta quinta‑feira (5). O resultado representa a quarta retração em um intervalo de cinco meses e amplia a perda acumulada de 4,1% nos últimos cinco meses.

"Vale destacar que essas atividades foram pressionadas pela redução no processamento da cana‑de‑açúcar, refletindo, em grande parte, os impactos provocados pelo maior volume de chuvas", afirmou André Macedo.

Destaques:

  • Queda de 0,8% na produção industrial em setembro
  • Quarta retração em cinco meses
  • Perda acumulada de 4,1% no período

Expectativas e desempenho anual

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda apontou que o dado ficou abaixo da mediana das expectativas de mercado, que previam ‑0,4%. No acumulado de 12 meses, a produção industrial apresenta alta de 0,2%, mas o analista André Macedo destaca "clara redução na magnitude de crescimento" nos últimos meses.

Setores em queda e em alta

Entre as quatro grandes categorias econômicas, três registraram taxas negativas. As maiores quedas foram:

  • Bens de capital: -1,9%
  • Bens de consumo semi e não duráveis: -1,2%
  • Bens intermediários: -0,7%

As atividades mais afetadas foram coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (‑4,2%) e produtos alimentícios (‑1,7%). A produção de álcool etílico e açúcar também contribuiu para as perdas.

Por outro lado, as indústrias extrativas cresceram 1,7%, impulsionadas pela maior extração de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro.

Comparação com o ano anterior

Em relação a setembro de 2023, a produção industrial caiu 2,5%, o recuo mais acentuado desde março de 2024 (‑2,9%). O IBGE atribui parte da variação ao efeito calendário – setembro de 2026 teve um dia útil a menos – e à elevada base de comparação, já que a indústria avançou 2% em setembro de 2025.

Perspectivas

Com a produção industrial 16,5% abaixo do pico registrado em maio de 2011, os indicadores apontam para desafios persistentes no setor, sobretudo nas cadeias de produção de açúcar e álcool, que sofreram pressão devido ao aumento das chuvas.