Partidos do Centrão planejam, ainda neste ano, propor mudanças no sistema eleitoral para conter a expansão da direita, representada pelo PL. A iniciativa surge após o PL conquistar 121 cadeiras na Câmara, a maior bancada desde 1988.

Reunião com presidente da Câmara

Na última quarta‑feira (14), líderes de dez partidos se encontraram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB). Além de apoiar a reeleição de Motta, a pauta incluiu a revisão do modelo proporcional, que, segundo o Centrão, favorece a “indústria de candidatos”.

Propostas em debate

Duas alternativas dominam as discussões: o sistema distrital misto e o distritão. O primeiro dividiria os estados em distritos eleitorais, preenchendo metade das vagas por voto local e a outra metade por listas fechadas dos partidos, com projeto de lei já em tramitação na Câmara. O segundo, apoiado por parte dos deputados e pelo Podemos, transformaria a eleição da Câmara em maioria simples, eliminando o efeito de “puxadores de fotos”.

Prédio do Congresso Nacional, com o Senado à esquerda da
Prédio do Congresso Nacional, com o Senado à esquerda da — foto — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Resistências e próximos passos

A mudança exigiria PEC, o que gera resistência dos dirigentes partidários, que temem perder poder de barganha. Um parlamentar que preferiu permanecer anônimo alertou:

"Não acredito em mudança no sistema eleitoral. Ali cada um tem uma ideia diferente", disse.

A próxima reunião entre os líderes aliados a Motta está prevista para a terça‑feira na residência oficial da Presidência da Câmara, com objetivo de organizar propostas e iniciar a redação de texto. Um segundo encontro está agendado para 28 de outubro, após as eleições presidenciais, envolvendo também os presidentes dos partidos.

Expectativas para o futuro

O deputado Domingos Neto (PSD‑CE), relator do projeto de lei sobre o distrital misto, deve participar das discussões. Alguns parlamentares defendem que o Senado e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), sejam incluídos desde o início para garantir acordo bicameral e evitar bloqueios como os ocorridos em tentativas anteriores de reforma eleitoral.