As contas do setor público consolidado apresentaram déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, informou o Banco Central nesta quinta‑feira (29). O endividamento permaneceu estável em 82,9% do PIB, o maior patamar desde março de 2021.

O déficit primário reflete a diferença entre receitas tributárias e despesas governamentais, excluindo os juros da dívida. No comparativo com setembro de 2023, o saldo negativo caiu de R$ 17,5 bilhões para R$ 5,5 bilhões.

Distribuição do déficit por esfera

O governo federal registrou saldo positivo de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios apresentaram déficit de R$ 5,6 bilhões e empresas estatais R$ 3,39 bilhões em déficit.

Acumulado do ano e metas fiscais

Nos primeiros nove meses de 2024, o déficit primário totalizou R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB, pior que o mesmo período de 2023, que foi de R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB). O governo federal, isoladamente, acumulou R$ 93,6 bilhões de déficit, contra R$ 99,6 bilhões nos primeiros nove meses de 2025.

A meta fiscal para 2024 estabelece um déficit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal de 2023 permite tolerância de 0,25 ponto percentual e considera cumprida a meta se o saldo for zero ou houver superávit de R$ 68,6 bilhões.

Dívida nominal e comparação internacional

Incluindo os juros da dívida, o resultado nominal das contas públicas foi déficit de R$ 113 bilhões em setembro. No acumulado de 12 meses, o déficit chegou a R$ 1,28 trilhão, ou 9,51% do PIB.

A dívida consolidada ficou em R$ 11,11 trilhões, mantendo-se em 82,9% do PIB, o maior nível em cinco anos. Segundo o FMI, o endividamento brasileiro foi ainda maior, atingindo 95,2% do PIB.

Perspectivas e pressões

Especialistas apontam que o aumento da dívida no governo de Luiz Inácio Lula da Silva está ligado ao crescimento dos gastos públicos e dos juros, criando um ciclo vicioso. Analistas recomendam cortes robustos de despesas para conter a dívida e reduzir a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

O governo sinaliza novas medidas para conter a expansão da dívida na próxima gestão, que tem início em 2027.