Após a vitória expressiva dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos, integrantes do governo brasileiro apontam obstáculos ao futuro da política externa de Donald Trump.

“Foi um 7 a 1. Os piores cenários para Trump se confirmaram. Tanto lá como cá são sociedades que prezam suas democracias, e demonstraram no voto. Retificaram o rumo do delírio autoritário”, afirmou um diplomata brasileiro.

Destaques:

  • Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara dos EUA
  • Diplomatas brasileiros preveem maior resistência a tarifas e doutrina "Donroe"
  • Próximos dias trarão observação da reação de Trump à derrota

Democratas assumem maioria no Congresso americano

Na madrugada de 4 de novembro, o Partido Democrata garantiu a maioria das cadeiras no Senado e na Câmara dos Deputados dos EUA, alterando o equilíbrio de poder para a segunda metade do mandato de Trump. A vitória incluiu cadeiras historicamente ocupadas por republicanos.

Governo brasileiro analisa impactos nas relações bilaterais

O Brasil não emitirá nota oficial sobre o pleito, seguindo a prática diplomática de evitar comentários sobre eleições estrangeiras. Contudo, autoridades do Itamaraty veem a maioria democrata como favorecedora de investigações sobre ações de Trump nos dois primeiros anos de governo, o que pode forçar a Casa Branca a adotar postura mais cautelosa nas políticas externa e tarifária.

Um integrante do governo que acompanha as negociações com o USTR (Escritório Comercial dos EUA) sobre as tarifas impostas ao Brasil afirmou que técnicos do escritório já vêm oferecendo resistência nos últimos meses a dar aval a tarifas “intempestivas e autoritárias” determinadas por Trump. Diante do risco maior de investigações, a burocracia estatal deverá resistir ainda mais a dar sustentação a essa agenda.

Possíveis mudanças nas políticas de tarifas e regulação de big techs

Diplomatas indicam que senadores e deputados democratas eleitos defendem investigação de operações americanas na América Latina, como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela. Ações unilaterais que afetem a soberania regional tendem a perder espaço.

O perfil dos eleitos também sugere apoio à regulamentação das big techs, medida que conta com apoio de parte dos republicanos. O governo Lula, que tem buscado avançar nessa regulação, vê na nova composição do Congresso um cenário mais favorável.

Expectativas para a segunda metade do mandato de Trump

Analistas do governo brasileiro preveem que Trump concentre esforços em questões internas, reduzindo a atenção à política externa, especialmente em relação ao Irã e Cuba. A estratégia pode incluir intensificação de discurso contra minorias, como imigrantes, muçulmanos e população LGBTQIA+.

O governo brasileiro observará nos próximos dias como a administração Trump reagirá à derrota e ajustará sua atuação, enquanto a diplomacia brasileira calibrará suas estratégias bilaterais diante de atritos como a suspeita de apoio a Flávio Bolsonaro e a suspensão do visto diplomático da embaixadora Maria Luiza Viotti.