As ações da Deoleo despencaram até 23,12% na Bolsa de Madri na quinta‑feira (5) após a companhia anunciar um acordo para vender suas operações a um consórcio formado pelas espanholas Dcoop e Acesur.
O negócio foi avaliado em 520 milhões de euros, porém o mercado reagiu negativamente porque esse valor não corresponde ao montante que será efetivamente recebido pela Deoleo nem ao repassado aos acionistas. O pagamento será menor após descontos de dívidas, ajustes financeiros e retenções contratuais.
A Deoleo, detentora de 50,99% da holding, estima receber entre 190 e 200 milhões de euros pela venda de sua participação, conforme comunicado da Comisión Nacional del Mercado de Valores. Esse valor ainda não é definitivo e pode mudar até a conclusão da operação, com parte dos recursos retida em conta de garantia.
Estrutura do consórcio comprador
A Dcoop é uma cooperativa que reúne mais de 75 mil famílias de agricultores espanhóis. A Acesur, empresa familiar, detém marcas como La Española e Coosur. Cada uma das duas ficará com metade do negócio da Deoleo.
Aprovações e autorizações necessárias
A venda depende da aprovação dos acionistas e de autorizações em três países. Na Espanha e nos Estados Unidos, autoridades de defesa da concorrência avaliarão os efeitos da compra. Na Itália, será exigida autorização para que as operações locais passem ao controle de investidores estrangeiros.
Impactos contratuais e prazo
Os contratos de licença da marca Bertolli podem ser afetados. O grupo japonês Mizkan tem dois meses para decidir se encerra algum desses contratos devido à mudança de controle. A Deoleo estima que o processo regulatório leve entre seis e oito meses, podendo ainda alterar o valor final recebido e a parcela retida como garantia.