Eleições legislativas nos Estados Unidos podem redefinir o alcance da presidência de Donald Trump. O aumento dos preços da carne bovina e do diesel tem sido usado por candidatos de ambos os partidos para mobilizar eleitores antes das midterms de 3 de novembro.

Carne como símbolo de inflação e identidade cultural

Em Mississippi, o democrata Scott Colom divulgou um vídeo preparando hambúrgueres, citando a sugestão da republicana Cindy Hyde‑Smith de que consumidores insatisfeitos trocassem de proteína. A fala foi gravada enquanto o candidato dizia:

"Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador."

A estratégia visa transformar a crítica ao preço da carne em um convite para trocar de senador.

Texas: churrasco como demonstração de identidade

No Texas, o democrata James Talarico passou a aparecer em vídeos comendo churrasco após críticas por sua campanha anterior de comprar apenas alimentos veganos. A mudança busca mostrar afinidade com a cultura local e rebater acusações de afastamento da pecuária, setor econômico importante do estado.

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— Imagem mostra James Talarico visitando uma churrascaria no Texas, em 30 de setembro de 2026. — Foto: Reprodução/Instagra

Colorado: ativismo vegano como alvo republicano

No Colorado, o republicano Gabe Evans destacou o histórico do democrata Manny Rutinel de reduzir o consumo de carne, incluindo sua participação em eventos da PETA e a fundação da Climate Refarm. Evans afirmou que o problema não são os hábitos pessoais, mas a possibilidade de transformar essas posições em políticas públicas.

"Não me importo com o que ele come pessoalmente", afirmou o republicano. "Me importa que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma."

Rutinel respondeu que os eleitores se preocupam mais em pagar pelos alimentos do que em seu prato pessoal.

"Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato", afirmou Rutinel. "Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles."

Dados de preços e medidas governamentais

O preço médio da carne moída atingiu US$ 6,92 por libra em agosto, o maior valor desde 1984, recuando para US$ 6,79 em setembro, ainda 7,4% acima do ano anterior. A alta resulta de oferta restrita após secas que reduziram o rebanho bovino ao menor nível em 75 anos.

Em agosto, o governo Trump suspendeu tarifas sobre a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, permitindo venda a preços 25% menores que o mercado. O efeito foi limitado, com queda de apenas US$ 0,13 por libra em setembro, segundo a NPR.

Reações no Congresso

Produtores de carne criticam a medida, alegando pressão sobre os preços do gado. Até mesmo republicanos como Ashley Hinson, candidata ao Senado por Iowa, questionam a redução das tarifas, defendendo apoio aos pecuaristas para expandir os rebanhos.

"A solução para conter os preços passa por apoiar os pecuaristas americanos para que possam expandir seus rebanhos", disse Hinson.

As eleições de meio de mandato, que renovam toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, mostram como a inflação alimentar se tornou ferramenta de campanha, ligando questões econômicas a identidades culturais regionais.