Estudantes retomam protagonismo e pedem democracia, diz UNE

Milhares de estudantes organizaram atos em várias cidades para defender a democracia e a educação pública nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que o futuro do país está em risco.

Movimento estudantil volta às ruas

Em entrevista à Agência Brasil, Bianca Borges destacou o protagonismo de universitários e secundaristas nos atos realizados pelo país. Ela rememorou a história de lutas estudantis contra a ditadura militar, as Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor e a oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

"Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco", afirmou Bianca.

Riscos à democracia e à educação

Borges alertou para a possibilidade de um governo autoritário que poderia retroceder nas políticas de educação. Ela citou a proposta Future‑se apresentada por Jair Bolsonaro em 2019, que, segundo a UNE, atacava o caráter público das universidades.

"Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça", ressaltou.

Perfil dos manifestantes

O primeiro ato após o primeiro turno ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, onde mais de mil estudantes compareceram a uma assembleia que acabou se estendendo para a rua. A mobilização incluiu universitários, estudantes secundaristas, como os do Colégio Pedro II, e grêmios estudantis.

Rio de Janeiro (RJ), 07/10/2026 – Milhares de estudantes participam de manifestação em apoio à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no centro da cidade.
Rio de Janeiro (RJ), 07/10/2026 – Milhares de estudantes participam de manifestação em apoio à reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no centro da cidade. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Exigências da UNE

A UNE reivindica o fim do subfinanciamento das universidades públicas, ampliação da assistência estudantil e garantia de condições para que alunos de baixa renda permaneçam nos cursos. Também critica a nomeação de 18 reitores interventores e a retórica de Bolsonaro que rotulou centros acadêmicos como "ninho de rato".

Brasília (DF), 13/10/2026 – Ato em apoio à candidatura de reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, no Museu da República, em Brasília.
Brasília (DF), 13/10/2026 – Ato em apoio à candidatura de reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, no Museu da República, em Brasília. — Foto: Walter Campanato/Agência Brasil.

Decisões judiciais recentes

Na última sexta‑feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para bloquear publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.

Perspectivas para o segundo turno

Bianca Borges enfatizou que a participação estudantil deve se manter ativa além do período eleitoral, transformando reivindicações em direitos concretos. Ela concluiu que a vitória do presidente Lula é vista como essencial para o futuro que os estudantes desejam construir.