Estudantes retomam protagonismo e pedem democracia, diz UNE
Milhares de estudantes organizaram atos em várias cidades para defender a democracia e a educação pública nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que o futuro do país está em risco.
Movimento estudantil volta às ruas
Em entrevista à Agência Brasil, Bianca Borges destacou o protagonismo de universitários e secundaristas nos atos realizados pelo país. Ela rememorou a história de lutas estudantis contra a ditadura militar, as Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor e a oposição ao governo de Jair Bolsonaro.
"Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco", afirmou Bianca.
Riscos à democracia e à educação
Borges alertou para a possibilidade de um governo autoritário que poderia retroceder nas políticas de educação. Ela citou a proposta Future‑se apresentada por Jair Bolsonaro em 2019, que, segundo a UNE, atacava o caráter público das universidades.
"Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça", ressaltou.
Perfil dos manifestantes
O primeiro ato após o primeiro turno ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, onde mais de mil estudantes compareceram a uma assembleia que acabou se estendendo para a rua. A mobilização incluiu universitários, estudantes secundaristas, como os do Colégio Pedro II, e grêmios estudantis.

Exigências da UNE
A UNE reivindica o fim do subfinanciamento das universidades públicas, ampliação da assistência estudantil e garantia de condições para que alunos de baixa renda permaneçam nos cursos. Também critica a nomeação de 18 reitores interventores e a retórica de Bolsonaro que rotulou centros acadêmicos como "ninho de rato".

Decisões judiciais recentes
Na última sexta‑feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para bloquear publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.
Perspectivas para o segundo turno
Bianca Borges enfatizou que a participação estudantil deve se manter ativa além do período eleitoral, transformando reivindicações em direitos concretos. Ela concluiu que a vitória do presidente Lula é vista como essencial para o futuro que os estudantes desejam construir.