Flávio Bolsonaro deixa Brasil para EUA e Lula o chama de vergonhoso

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) partiu para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais, segundo duas fontes citadas pela Reuters e pelo The New York Times. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o gesto é "vergonhoso" e que o senador deve ter culpa na consciência.

"Eu estou sabendo agora que o meu adversário foi embora, não sei. Não tenho informações precisas... Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país", disse Lula.

Destaques:

  • Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos EUA
  • Lula o acusou de fugir e ter culpa na consciência
  • PF pediu ao STF a apreensão do passaporte e proibição de saída

Saída do senador e reações de Lula

Lula fez as declarações durante a comemoração de seu 81º aniversário no Palácio da Alvorada. Ele criticou a atitude de Flávio, dizendo que o senador "não tem compromisso com a verdade" e que "esse ato de sair do Brasil é vergonhoso".

"Eu tentei que ele provasse que era honesto entregando papéis e ele não entregou... É impressionante a desfaçatez dele", afirmou o presidente.

Rotas e dúvidas sobre a viagem

Um jornal argentino informou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina em Puerto Iguazú, usando documento de identidade, e embarcado em um avião Gulfstream G400 (matrícula LV‑JQW) da empresa Baires Fly S.A. O voo saiu de Buenos Aires às 23h45 (horário de Brasília) e não há registro de que o senador tenha embarcado.

A imigração argentina declarou que não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. O Departamento de Estado dos EUA indicou que vistos serão concedidos ao senador e sua família, mas não confirmou sua presença no território americano.

Ação da Polícia Federal e investigação

A PF solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a apreensão do passaporte de Flávio e a proibição de saída do país, apontando risco "concreto e atual" de fuga. O prazo para entrega do documento expirou às 11h da mesma terça‑feira.

A justificativa da PF inclui a recomendação pública de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, para que ele deixasse o Brasil em caso de derrota, e a existência de estruturas no exterior que poderiam viabilizar sua permanência.

"Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flávio Bolsonaro, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral", informou a PF.

Investigadores também apontam suspeitas de que recursos do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, repassados por meio do doleiro Antonio Freixo, possam ter financiado a estrutura de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Contexto judicial

A decisão de Moraes integra o processo em que Flávio Bolsonaro é investigado por suposto esquema envolvendo empresas de Willer Tomaz e apostas esportivas. O caso segue em sigilo de justiça. Flávio também responde a inquérito sobre possível financiamento da produção de filme sobre a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro.