Altas repentinas nos preços de alimentos e energia devem se tornar mais frequentes, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). O organismo alerta que essas crises podem manter as expectativas de inflação altas, agravar a pobreza e ameaçar a estabilidade econômica.

"Em resumo, as crises do custo de vida ... afetam a estabilidade de preços, reduzem os padrões de vida e agravam a desigualdade", afirmou Chiara Maggi, economista do FMI que participou da coordenação do estudo.

Destaques:

  • Crises de custo de vida podem elevar inflação e pobreza
  • Chiara Maggi destaca impacto nas famílias vulneráveis
  • Próximo passo: relatório "Perspectiva Econômica Mundial" será divulgado na próxima semana

Estudo de três décadas revela risco crescente

A pesquisa divulgada nesta semana analisou medidas adotadas por governos ao longo de três décadas para mitigar os efeitos das altas de preços. O estudo introduziu um modelo que atribui maior peso à inflação sobre famílias de baixa renda, que destinam maior parcela da renda a itens essenciais.

Entre 2021 e 2024, o modelo indicou que 23 milhões a mais de pessoas viveram abaixo da linha de extrema pobreza em comparação com estimativas tradicionais, refletindo uma diferença de 0,8 ponto percentual no indicador de inflação.

Conflitos globais intensificam a volatilidade

Nos últimos cinco anos, eventos como a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e a guerra no Oriente Médio deste ano tornaram as altas de preços mais recorrentes. O FMI constatou que, apesar da resistência da economia global à alta dos preços de energia, os riscos permanecem elevados.

A instituição projeta crescimento global de 3% em 2026, alinhado à projeção de julho, mas abaixo da média de 3,5% registrada em 2024 e 2025. O FMI ainda espera que a guerra continue, com intensificação de ataques entre Irã e Estados Unidos.

Políticas recomendadas para proteger famílias vulneráveis

O FMI recomenda transferências de renda direcionadas como a forma mais eficaz de proteger os mais vulneráveis, evitando intervenções diretas nos preços. Medidas como controle de preços ou redução de impostos podem custar de três a seis vezes mais aos governos, enquanto subsídios aos produtores podem ser até 22 vezes mais onerosos.

Segundo Maggi, subsídios em países em desenvolvimento são ineficientes porque podem reduzir preços de produtos destinados à exportação, beneficiando consumidores estrangeiros às custas dos contribuintes locais.

A pesquisa integra o segundo capítulo do relatório "Perspectiva Econômica Mundial", previsto para publicação na próxima semana.