O Fundo Monetário Internacional elevou nesta terça‑feira a projeção de crescimento da economia global para 2026, fixando‑a em 3,1%. A atualização foi divulgada durante os encontros de outono do FMI e do Banco Mundial, realizados em Bangkok.
O relatório Perspectivas Econômicas Mundiais indica que o crescimento dos Estados Unidos permanecerá estável em 2,3% nos anos de 2026 e 2027. O FMI também espera que os preços do petróleo subam quase 41% em 2024, atingindo média de US$ 96 por barril, o que deve elevar a inflação global para 4,7% em 2026.
Inteligência artificial como contrapeso
Segundo o documento, o avanço da inteligência artificial (IA) está mitigando parte dos efeitos negativos provocados pelos altos preços de petróleo e gás. Contudo, o FMI ressalta que os benefícios não são distribuídos de forma homogênea: Estados Unidos e China respondem por mais de três quartos da demanda mundial por semicondutores e equipamentos ligados à IA.
"As perspectivas são altamente desiguais", afirmou Silvana Tenreyro, diretora do departamento de pesquisa do FMI, durante entrevista coletiva em Bangkok.
O relatório aponta que 32 países concentram 95% da expansão econômica global, contra 54 países em abril.
"A economia global não está simplesmente desacelerando ou acelerando; o crescimento está sendo redistribuído entre os países de acordo com sua exposição ao choque de oferta provocado pela guerra e à força da demanda relacionada à inteligência artificial", afirma o documento.
Impactos no emprego
A diretora‑gerente do FMI, Kristalina Georgieva, descreveu o efeito da IA no mercado de trabalho como "um tsunami em câmera lenta, mas ainda assim um tsunami".
"Estimamos que o impacto sobre os empregos no mundo alcance cerca de 40%, seja por meio de aprimoramento, rebaixamento ou eliminação de postos de trabalho. E já estamos observando parte desse impacto", afirmou.
Georgieva também pediu que países ricos e pobres reforcem esforços para melhorar finanças públicas, alertando que o aumento do endividamento representa risco crescente à estabilidade financeira global.
Projeções regionais e setoriais
O FMI prevê que as economias avançadas cresçam 2,1% em 2024, acima dos 2,0% de 2025, antes de desacelerarem para 1,9% em 2025. Nos Estados Unidos, o crescimento deve permanecer estável em 2,3%.

Países menos expostos aos choques energéticos e que adotam rapidamente a IA devem manter crescimento, enquanto economias em desenvolvimento, vulneráveis aos altos preços de energia, devem desacelerar para 3,7% em 2024, contra 4,5% em 2025. A projeção para 2027 indica recuperação com expansão de 4,4%.
No Oriente Médio e Ásia Central, as economias devem encolher em 2024 antes de crescer 6,3% em 2027. Os 21 países que utilizam o euro devem registrar crescimento de 1,1% em 2024 e 1,2% em 2027.
A China deve expandir 4,5% em 2024, abaixo dos 5% de 2025, alinhada à meta oficial. A Índia permanece a maior economia em crescimento, com expansão de 7% em 2024, menor que os 7,7% do ano anterior.
O FMI, com 191 países‑membros, continua a promover crescimento econômico, estabilidade financeira e redução da pobreza, enquanto ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais debatem estratégias em Bangkok.