A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação do registro da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL). O pedido se baseia em suposto abuso de poder econômico e uso indevido das ferramentas de comunicação da Meta e do X.
A ação afirma que a infraestrutura privada de propaganda eleitoral – sistemas de recomendação, IA generativa e revisão de anúncios das plataformas da Meta (Instagram, Facebook, WhatsApp) e do X – operou de forma reiterada em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro, prejudicando a de Lula.
"a infraestrutura privada na qual hoje se realiza a propaganda eleitoral — os sistemas de recomendação, as ferramentas de inteligência artificial generativa e os mecanismos de revisão de anúncios das plataformas da Meta (Instagram, Facebook e WhatsApp) e do X — passou a operar, de modo reiterado e convergente", afirmou a campanha.
Reunião entre Meta e campanhas eleitorais
A ação segue reunião entre representantes da Meta e das campanhas para esclarecer o funcionamento dos algoritmos e possíveis prejuízos. O encontro visou permitir que os envolvidos apresentassem dúvidas antes de uma decisão final.
Pedidos de inelegibilidade e outras acusações
Além da cassação da chapa, a ação solicita que Flávio Bolsonaro seja declarado inelegível por oito anos. A campanha também relata dificuldades para impulsionar conteúdos pagos e aponta a geração de imagens por IA como fator de desequilíbrio.
Argumentos sobre poder econômico e influência estrangeira
Os advogados destacam três vetores de poder econômico: o das empresas que controlam a infraestrutura de comunicação, o da própria campanha, que teria pago centenas de milhares de reais a empresa associada para operações de influência, e recursos de fontes vedadas e do exterior que circularam nas plataformas.
"O que está em jogo vai além da igualdade de chances. Está em jogo a integridade da democracia brasileira contra a manipulação algorítmica e a soberania nacional contra a influência estrangeira", disse a campanha.
Reação do Conselho Internacional de Supervisão da Meta
O Conselho Internacional de Supervisão da Meta, que monitora o Facebook, Instagram e WhatsApp, publicou relatório criticando a atuação da empresa nas eleições brasileiras. Em declaração na terça‑feira (20), o conselho afirmou estar preocupado com falhas recorrentes na aplicação das normas eleitorais e exigiu maior transparência nas práticas de fiscalização.
Diferença de alcance nas redes sociais
Dados apresentados pela campanha apontam diferença significativa de alcance entre conteúdos ligados a Lula e a Flávio Bolsonaro, reforçando a suspeita de tratamento desigual nas plataformas.