Richarlison publicou um vídeo nas redes sociais nesta quarta‑feira (21) acusando o senador Flávio Bolsonaro (PL) de participar de uma disputa pela posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O atacante afirma ter investido R$ 10 milhões na compra da propriedade e exige que o senador devolva o imóvel.
Origem da disputa
A controvérsia começou em 2020, quando Richarlison, por meio de empresa da qual é sócio, teria pago R$ 4,66 milhões a antigos ocupantes e mais recursos em reformas e segurança. O senador teria demonstrado interesse, mas o jogador recusou a venda, alegando que Bolsonaro se aliou ao advogado Willer Tomaz para retirar-lhe os direitos.
"Lutar pelo que é justo, né? Então devolve minha ilha!!!", escreveu Richarlison no Instagram.
Alegações e documentos
No vídeo, Richarlison respondeu a um desafio de Tomaz, apresentando contratos de cessão de direitos possessórios e comprovantes de pagamento. Ele afirmou que o processo de regularização na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) demorou cerca de dez meses, enquanto a parte de Tomaz teria concluído a regularização em 24 horas.
"Estarei mostrando aqui agora os documentos que comprovam que eu comprei a ilha. Foi tudo na frente do juiz, foi tudo na frente do desembargador do Rio de Janeiro e foi tudo correto", afirmou o atacante.
Decisões judiciais
A disputa chegou à Justiça em 2022, com ação de reintegração de posse movida pela M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. contra a empresa Sport 70, ligada a Richarlison. Em maio de 2023, o juiz Ivan Pereira Mirancos Junior extinguiu a ação principal sem analisar o mérito, permitindo apenas a continuação de pedidos específicos.
Em junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve entendimento favorável à empresa de Tomaz, e em outubro de 2025 o processo foi arquivado definitivamente em 23 de janeiro de 2026.

Reações e investigações
Flávio Bolsonaro nega envolvimento, embora tenha sido incluído como testemunha. Ele e Tomaz são investigados pelo STF por suspeita de lavagem de dinheiro, segundo a PF, que os apontou como usuários de contas bancárias de empresas vinculadas.
Willer Tomaz divulgou nota contestando as acusações de Richarlison, afirmando que os valores pagos foram a ocupantes e não à proprietária, e que o caso já foi arquivado por falta de indício de crime.
"Os papéis exibidos pelo jogador Richarlison confirmam que o atacante pagou a posseiros, e não à proprietária de direito... Por insistir em acusações sem lastro, Richarlison já é réu em Brasília", declarou Tomaz.
Perspectivas
Richarlison informou que procurou Flávio Bolsonaro no início do ano para negociar, sem resposta, e que continuará na Justiça para tentar recuperar o imóvel ou os valores investidos. Ele também pretende destinar parte de eventual indenização ao hospital de Nova Venécia, sua cidade natal.
O caso segue sob investigação do Ministério Público Federal, que recebeu representação do coletivo Derrubando Muros pedindo apuração de irregularidades na regularização da área, que pertence à União.