Produção florestal de eucalipto bate recorde e garante 84% da produção nacional de carvão vegetal. O estado lidera a cadeia que movimenta bilhões de reais, atendendo ao mercado interno e ao Paraguai.
Silvicultura como base da economia florestal
A prática de silvicultura, que planeja o cultivo de florestas para fins comerciais, tem eucalipto como espécie‑estrela. Segundo o IBGE, o estado concentra a maior parte da produção de carvão vegetal do país.
"O eucalipto é uma madeira própria para a produção de celulose e para o carvão vegetal. Temos perfis determinados por clones adaptados a realidades diferentes, tipos de solo, relevo e chuva. Trazemos cobertura verde para áreas que estavam sem vegetação", explicou Adriana Maugeri, presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF).
Plantio, manejo e preservação
Em Curvelo, região central de Minas, a colheita ocorre cerca de sete anos após o plantio. A propriedade, com mais de 40 mil hectares, produz 35 milhões de mudas anuais.
"Geralmente a gente semeia uns 50 tipos [de clones], depende de cada ano. Fazemos o semeio e, a hora que a muda estiver no ponto, vai para o campo. A partir daí, há vários testes para saber se o material passa para a próxima etapa", detalhou Arlete Pinto de Miranda, auxiliar de pesquisa.
"Adotamos um modelo de colheita em que deixamos a matéria orgânica no solo para melhorar a qualidade da terra. Além disso, temos uma grande área preservada, com reservas hídricas e áreas de alto valor de conservação, que já chegaram num estágio bem avançado de preservação", afirmou Sandro Marani, gerente da propriedade.

Da floresta ao papel
Em Belo Horizonte, uma empresa com 25 anos de atuação transforma a madeira certificada em papel para escolas, escritórios e empresas, produzindo 1.500 toneladas por mês.
"São todas florestas replantadas, reflorestadas e com certificado. Todas elas são monitoradas pelos órgãos competentes. Então, não tem como vir de desmatamento", garantiu Leonardo Andrade, diretor industrial.
Desafios e perspectivas
O setor busca ampliar a produção mantendo rastreabilidade e manejo responsável, sem comprometer a conservação das matas nativas.
"O cenário é muito positivo. Se eu puder fazer uma aposta, principalmente para pequenos e médios produtores, é para utilizar a floresta como uma atividade econômica integrada a outras, equilibrando as demandas e os desafios econômicos que enfrentamos todos os dias", concluiu Adriana Maugeri.