A Alliance for Automotive Innovation, que reúne quase todas as principais fabricantes de automóveis nos EUA, enviou um apelo ao Congresso na segunda‑feira (2) para que se aprove, ainda neste ano, a proibição permanente de veículos chineses. O pedido chega antes da retomada dos trabalhos legislativos prevista para a próxima semana, após as eleições de meio de mandato.

Destaques:

  • Proibição permanente de carros chineses solicitada ao Congresso
  • John Bozzella, presidente da associação, lidera a iniciativa
  • Aprovação esperada ainda em 2024

Pressão sobre o Congresso

A entidade argumenta que a entrada desses carros ameaça segurança nacional e os investimentos das montadoras nos Estados Unidos. "Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas", afirmou John Bozzella, presidente da associação.

"Os Estados Unidos já têm restrições que, na prática, impedem montadoras chinesas de vender ou fabricar carros de passeio no país.", afirmou Bozzella.

Contexto regulatório

A regulamentação que impede a venda de veículos chineses foi adotada no início de 2025, durante o governo de Joe Biden, por risco de envio de dados sensíveis dos motoristas à China. Além disso, o país mantém tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses. Agora, as fabricantes pressionam por uma lei que estabeleça o banimento permanente.

"A posição do presidente Donald Trump, porém, provocou preocupação no setor."

Em setembro, Trump disse à Fox News que aceitaria que empresas chinesas produzissem carros em território americano.

Fábrica de modelos eletrificados da Leapmotor em Zhejiang, China.
Fábrica de modelos eletrificados da Leapmotor em Zhejiang, China. — Foto: Divulgação

Avanço legislativo

O projeto avançou em julho, quando foi aprovado por uma comissão do Senado. Na Câmara dos Representantes, mais de 100 parlamentares já são coautores da proposta. Apesar do apoio bipartidário, os senadores concordaram em setembro em adiar para novembro a tentativa de acelerar a tramitação.

Montadoras e assessores ainda esperam concluir a aprovação ainda em 2024, embora haja risco de atraso caso os democratas conquistem o controle do Legislativo e a sessão encerre em dezembro.

Comparação internacional

Bozzella citou o avanço dos veículos chineses na Europa: a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China nos oito primeiros meses de 2026, volume superior ao registrado em todo 2025.

"Dado o evidente risco à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que conseguiram fazer impunemente na Europa", declarou.

O Ministério das Relações Exteriores da China pediu aos EUA que respeitem as leis de economia de mercado e os princípios de concorrência justa, classificando propostas anteriores como "repressão injustificada".