Após anunciar nesta quarta‑feira (4) Rogério Marinho (RN) como candidato à presidência do Senado, o PL voltou a se dividir sobre a estratégia para a Câmara dos Deputados.

“Um gesto como esse [lançar candidatura contra Motta] nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”, disse um parlamentar que participa das conversas.

Destaques:

  • PL debate apoiar Hugo Motta ou lançar candidatura própria
  • Decisão será tomada em reunião na quarta‑feira (11)
  • Possível apoio de partidos como PSB, PDT e PV ao bloco de Motta

Discussão interna e riscos de isolamento

Na terça‑feira (3), Valdemar Costa Neto, presidente do PL, reuniu lideranças do partido para avaliar a postura. A ala que defende a aliança com Hugo Motta (Republicanos‑PB) alerta que, fora do bloco, o PL ficaria na 16ª posição nas escolhas de comissões, perdendo influência nos colegiados.

Apoio ao bloco majoritário

PSB, PDT e PV já declararam apoio à reeleição de Motta e pretendem integrar o maior bloco da Câmara, que conta com apoio de 15 partidos. Se o PL aderir, teria preferência nas três primeiras comissões, reforçando a bancada que pretende ser a maior em 2027.

“Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, afirmou um deputado que pediu anonimato.

Pressões por candidatura própria

Deputados novatos e parte da bancada defendem independência de Motta. Nikolas Ferreira (PL‑MG) propôs nomes como Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL‑SP) e Sóstenes Cavalcante (PL‑RJ) para a presidência da Câmara, argumentando que a presença no bloco não garante peso suficiente.

“Eu vejo que espaços na Câmara têm um peso menor do que a gente simplesmente estar junto, caminhando junto com o Hugo Motta e ter algum tipo de espaço, prioridade, comissões dentro da Câmara”, disse Nikolas.

Próximos passos

A bancada do PL deve se reunir novamente na quarta‑feira (11) para definir se apoiará Motta e qual nome, se houver, será lançado. O PT, já alinhado ao apoio de Motta, indica que pode excluir o PL do bloco caso este opte por candidatura própria.

Com a decisão pendente, o PL relembra a derrota de Rogério Marinho contra Rodrigo Pacheco no Senado em 2023, que resultou na perda de comissões e espaço na Mesa Diretora, reforçando o temor de repetir o erro na Câmara.