A família de uma estudante de 13 anos registrou ocorrência na Polícia Civil de Belo Horizonte denunciando ataques virtuais de teor racista, sexual e de intolerância religiosa. Os abusos começaram na noite de domingo (25) após o término da votação do segundo turno da eleição presidencial e foram formalizados na terça‑feira (27).

Os áudios e mensagens foram enviados por um colega de sala, segundo o boletim de ocorrência, e envolveram também um amigo desse colega e uma terceira adolescente. A mãe, cuja identidade foi preservada, cobrou rapidez na apuração, ressaltando que a filha continua frequentando o colégio.

"Justiça, que tenham pressa, até porque minha filha está na escola", afirmou.

Nos áudios, há ofensas relacionadas a religiões de matriz africana, críticas à condição financeira da vítima e insultos aos pais e à avó. Uma gravação menciona que a casa da família vale R$ 10 milhões, "mais que sua alma inteira".

A estudante também foi alvo de mensagens que faziam referência ao apoio ao presidente Lula (PT), contendo xingamentos e conteúdo sexual. A mãe relatou ainda ameaças à integridade física da filha e solicitou providências ao Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família (Defam).

O advogado da família, Victor Alves, informou que há relatos de agressões anteriores, mas que esta foi a primeira vez que a responsável procurou a polícia.

"Há relatos de que a criança já sofria outros ataques antes, mas foi a primeira vez que a responsável procurou a polícia", disse.

Alves acrescentou que a família também buscou o colégio, aguardando posicionamento para verificar o andamento do inquérito.

"A família procurou o colégio e, a partir da reunião com o colégio, vamos ter mais posicionamentos para ir à delegacia verificar se houve andamento no inquérito policial. Nós vamos tomar as medidas cabíveis. Foi algo muito sério", afirmou.

O advogado destacou o impacto potencial das agressões na vida da estudante e na comunidade.

"É algo que envolve toda a comunidade. Para além de um crime, pode reverberar na vida da criança para todo o sempre", disse.

O Claretiano Colégio, instituição de ensino da estudante, declarou que está verificando as informações recebidas e adotando procedimentos internos.

"O Claretiano – Rede de Educação não compactua com qualquer forma de racismo, discriminação, intolerância religiosa, violência ou constrangimento, reafirmando seu compromisso com um ambiente educacional seguro, inclusivo e respeitoso", destacou a instituição.