A queixa da Ucrânia de que a SpaceX teria restringido serviços "de nível militar" trouxe novamente à tona a distinção entre Starlink, rede comercial de internet via satélite, e Starshield, versão militar desenvolvida para o Pentágono.

"Os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos", escreveu Musk nesta quarta-feira (14/10) numa postagem no X, acrescentando que quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares ou pelo presidente dos EUA.

Destaques:

  • Starshield é controlado pelos EUA
  • Elon Musk respondeu à queixa em 14/10
  • Pentágono paga bilhões por serviços Starlink e Starshield

Estrutura dos dois sistemas

O Starlink é o serviço civil de internet administrado pela própria SpaceX, com mais de 11 mil satélites em órbita baixa e cerca de 13 milhões de assinantes. O serviço atende moradores de áreas remotas, empresas de navegação e companhias aéreas.

Já o Starshield funciona como a unidade de negócios da SpaceX voltada para satélites militares e de inteligência. Seus principais clientes são o Departamento de Defesa dos EUA, a Space Force e o National Reconnaissance Office (NRO). O programa utiliza satélites próprios e parte da constelação Starlink, mas com criptografia mais robusta e equipamentos exclusivos.

Uso na Ucrânia

Durante a invasão russa em 2022, a Ucrânia recebeu mais de 50 mil terminais Starlink, dos quais 29.500 foram financiados pela Polônia, que paga cerca de 50 milhões de dólares por ano. Em 2023, os EUA financiaram 500 terminais Starshield por aproximadamente 40 milhões de dólares. Em agosto de 2024, um contrato do Space Systems Command ampliou o acesso a 2.500 terminais Starlink já em uso no país.

Embora os soldados chamem o equipamento de "Starlink", muitos desses terminais operam sob contratos do Starshield, com camadas adicionais de proteção de dados e regras distintas.

Conflitos de preço e responsabilidade

No início de 2024, Pentágono e SpaceX disputaram preços de serviços de satélite usados por drones militares contra o Irã. A SpaceX alegou que clientes que pagavam cerca de 5 mil dólares por terminal Starlink deveriam migrar para o Starshield, cujo custo é aproximadamente 25 mil dólares por terminal.

Tecnologia compartilhada, controle distinto

Ambos os sistemas compartilham a mesma tecnologia de satélites em órbita baixa (entre 328 e 614 km de altitude). Contudo, o Starshield mantém seus dados separados dos civis, utiliza camada extra de criptografia e inclui satélites exclusivos para reconhecimento e comunicação militar.

A confusão entre os dois serviços persiste porque as antenas visíveis no campo de batalha são as mesmas usadas pelo Starlink, mas a conexão pode estar vinculada a contratos do Starshield, com regras de uso diferentes.