A liquidação do Ueno Bank provocou uma forte crise política no Paraguai, levando à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding, e ao impeachment e prisão do ex‑presidente Santiago Peña. No Brasil, a falência do Banco Master resultou na prisão preventiva do seu controlador, Daniel Vorcaro, e em perdas para investidores de CDBs.
Contexto e origem dos bancos
O Ueno surgiu em 2021 com a compra da Financiera El Comercio pelo Grupo Vázquez, adotando a marca em fevereiro de 2022 e obtendo licença do Banco Central do Paraguai em novembro de 2022. Em 2024 incorporou o Visión Banco, alcançando 3 milhões de clientes, cerca de 60 % da população adulta.
O Banco Master tem origem no Banco Máxima, adquirido por Daniel Vorcaro em 2017. Em 2021 o banco mudou de nome e passou a atrair investidores com CDBs de alta remuneração.
Semelhanças apontadas por especialistas
"É impressionante a semelhança entre os casos Master e Ueno. Nos dois houve exposição relevante de recursos públicos, inclusive da previdência, crescimento muito rápido apoiado em ativos frágeis e relações próximas com o mundo político", afirmou Thiago Amâncio, diretor associado da Control Risks.
Ambos os bancos administravam recursos públicos: o Ueno cerca de US$ 850 mi do Instituto de Previdência Social paraguaio, enquanto o Master recebeu R$ 1,8 bi de regimes próprios de previdência brasileiros.
Diferenças de escala e impacto
"Mas a diferença fundamental é a dimensão do Ueno no sistema paraguaio, já que quase metade da população tem conta no banco. É uma escala completamente diferente da do Master", observou Luis Miguel Santacreu, da Austin Ratings.
O Ueno detinha US$ 3,75 bi em ativos e 9,1 % dos depósitos bancários paraguaios; o Master possuía R$ 86,8 bi em ativos, representando apenas 0,55 % das captações brasileiras. A liquidação do Ueno congelou contas, gerando filas e protestos, enquanto a crise do Master afetou principalmente o Fundo Garantidor de Crédito, que desembolsou mais de R$ 40 bi.
Desdobramentos judiciais
No Paraguai, o juiz determinou, em 5 de novembro, a prisão preventiva de seis ex‑dirigentes do Ueno, incluindo Juan Manuel Gustale e Federico Miguel Vázquez Villasanti. Santiago Peña foi preso em casa após ordem de prisão domiciliar.
No Brasil, Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em novembro de 2025, solto após onze dias e novamente detido em março de 2026, após tentativa frustrada de venda do Master ao Banco de Brasília.
Conclusão
Embora os casos compartilhem exposição de recursos públicos e vínculos políticos, a escala do Ueno no Paraguai gerou consequências políticas mais graves, culminando na queda de um presidente, enquanto a crise do Master, apesar de prejuízos financeiros, não alterou o panorama político brasileiro.