Circulam nas redes sociais vídeos que afirmam que, após a vitória no segundo turno, o governo do presidente Lula encerraria o Bolsa Família. As postagens, veiculadas no Instagram, Facebook e X desde 26 de maio, trazem a frase sobreposta “Bolsa Família pode acabar! Governo Lula avalia a possibilidade de encerrar o programa”.

Destaques:

  • Vídeo de 2025 não aborda fim do programa
  • Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social nega corte
  • Reajuste de 15,04% anunciado em setembro de 2024

A reportagem compartilhada é, na verdade, um conteúdo da CNN exibido em 16 de abril de 2025, onde os jornalistas Marcio Gomes e Jussara Soares analisam regras de transição para beneficiários que ultrapassam o limite de renda. O material, intitulado “Análise: Governo quer emplacar ideia de transição ao Bolsa Família”, não menciona qualquer medida para extinguir o programa.

"são falsas as alegações de cortes no Bolsa Família", afirmou a assessoria do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

O Bolsa Família beneficia famílias com renda per capita de até R$ 218. Até 2024, quem atingia R$ 759 continuava recebendo metade do benefício por até dois anos. As regras de transição, implementadas a partir de junho de 2025, reduziram esse prazo para um ano e fixaram o novo limite de renda em R$ 706. Famílias que ultrapassam o limite são excluídas imediatamente.

Em nota enviada ao Fato ou Fake, o MDS reforçou que “o programa segue em funcionamento, sem suspensão de pagamentos ou redução dos benefícios”. O órgão informou ainda que, em outubro, houve reajuste de 15,04%, elevando o valor mínimo por família de R$ 600 para R$ 691.

O aumento foi anunciado em 17 de setembro de 2024, 17 dias antes do primeiro turno das eleições, e o primeiro repasse com os novos valores ocorreu em 19 de outubro, sete dias antes do segundo turno, que resultou na reeleição de Lula para um quarto mandato, derrotando Flávio Bolsonaro (PL).

Na ocasião, o governo descartou motivação eleitoral, alegando que o reajuste compensa a perda de poder de compra causada pela inflação desde o último aumento, três anos antes. Dados do IBGE apontam que o INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%.

Economistas consultados pelo g1 questionaram o timing da medida e o potencial impacto nas contas públicas, mas não identificaram qualquer proposta de extinção do Bolsa Família.