Os funcionários da Volkswagen na Alemanha anunciaram que entrarão em greve a partir de janeiro caso a empresa não revogue o cancelamento de acordos salariais. O sindicato IG Metall definiu o final de outubro como prazo para a empresa recuar.
A mobilização segue ao encerramento de contratos que garantiam padrões trabalhistas históricos, afetando negociações sobre pagamento de férias e jornada de trabalho. O conselho de trabalhadores informou que a diretoria executiva pretende congelar os salários de 660 mil funcionários globalmente até 2030, como medida para conter a concorrência chinesa, tarifas e custos da transição para veículos elétricos.
Repercussões e riscos de reestruturação
O plano de reestruturação pode impactar até 100 mil postos de trabalho e inclui a avaliação do fechamento de até quatro fábricas no território alemão. A empresa ainda não comentou detalhes das medidas de redução de gastos.
"Uma ação massiva será iniciada caso a empresa não retire o aviso de rescisão dos acordos", afirmou Thorsten Groeger, negociador principal do IG Metall.
Posição dos representantes dos trabalhadores
A chefe do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, ressaltou que as mudanças nas condições operacionais eram previsíveis e que os funcionários esperam que a diretoria trabalhe em conjunto com as lideranças trabalhistas para encontrar solução.
"As mobilizações vão preparar o caminho para greves, que atualmente estão proibidas por uma trégua em vigor até o primeiro dia de janeiro", declarou Groeger.
Próximos passos nas negociações
As negociações salariais oficiais devem iniciar, no máximo, no início de dezembro, mas o sindicato solicita que as conversas sejam antecipadas para 24 de novembro. Uma alternativa em análise é a criação de uma estrutura de transição, com apoio da agência federal de emprego alemã, para requalificar profissionais e auxiliar na busca por novas vagas fora da montadora.