Aliados de Hugo Motta articulam apoio para manter presidência da Câmara
Aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avaliam que a disputa pela sucessão no comando da Casa ainda não está definida. A eleição está marcada para fevereiro de 2025, mas as negociações já circulam nos bastidores de Brasília.
Estratégia de autopreservação do Centrão
Aliados de Motta acreditam que o Centrão buscará autoproteção para evitar que o bolsonarismo amplie sua influência no Legislativo. Eles lembram que, nos últimos anos, o Congresso ganhou força ao não alinhar automaticamente com o Poder Executivo, permitindo avanços como as emendas parlamentares.
Cálculo político do PL e posicionamento de Flávio Bolsonaro
Um interlocutor do presidente da Câmara alertou:
“O PL cresceu, mas dificilmente terá, ao mesmo tempo, a presidência da República, da Câmara e do Senado, isso enfraqueceria todos os outros partidos”, afirmou.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que o Congresso está "muito mais à direita do que ele é hoje" e reiterou a intenção de controlar ambas as casas:
"Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara", disse Flávio na última semana, em um evento em Goiânia (GO).
Negociações de cargos e apoio institucional
Motivados pela necessidade de maioria absoluta (251 votos em um plenário de 500 deputados), Motta tem negociado a próxima vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), relatorias de propostas, distribuição de cargos na Mesa e nas comissões, além de acordos sobre emendas.
Nesta terça‑feira (13), o presidente recebeu apoio público do líder do PSD, Antonio Brito (BA), cuja bancada conta com mais de 40 deputados. Motta respondeu que "quem chega primeiro bebe água mais limpa", sinalizando que o PSD será bem contemplado nos acordos.
Ele também mantém diálogo com líderes de primeira hora, como Luizinho (PP‑RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB‑AL), e conta com a expectativa de apoio de partidos como Podemos e da esquerda (PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV, Rede), que juntos somam 124 deputados.

Cenário no Senado e histórico de alianças
O PL já soma 28 senadores e pode ganhar mais com a saída de Cleitinho (Republicanos) para assumir o governo de Minas Gerais, sendo substituído por Alex Diniz (PL). Essa movimentação dificulta a reeleição de Davi Alcolumbre (União‑AP) na presidência do Senado.
Aliados de Motta também consideram repetir a fórmula que garantiu a reeleição histórica de Arthur Lira (PP‑AL) em 2023, quando Lira, apoiado por Jair Bolsonaro, entregou a Lula a PEC da Transição e obteve 464 votos, a maior votação já registrada para a presidência da Câmara.

Perspectivas após a eleição presidencial
Interlocutores afirmam que Motta pretende esperar o resultado do segundo turno da eleição presidencial para abrir nova rodada de conversas com diferentes forças políticas. Caso Flávio Bolsonaro vença, Motta pode acenar ao futuro presidente, argumentando que a presidência da Câmara exige articulação com o governo.
Em reunião com Lula, o presidente da Câmara recebeu a resposta: “o Motta vai me ajudar a ganhar as eleições”. Motta já havia pedido votos a Lula no primeiro turno, buscando apoio para a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos‑PB) ao Senado, embora o candidato não tenha sido eleito.
O posicionamento de Motta, que inclui apoio ao governo Lula, pode ser decisivo para conquistar votos da esquerda, independentemente do resultado da disputa presidencial, reforçando que, na próxima legislatura, a capacidade de reunir votos entre os próprios deputados será o fator determinante para definir o comando da Câmara.