O criador da personagem gerada por inteligência artificial que enganou Edimar Rocha Martins, 49, a viajar mais de 2 mil quilômetros de ônibus do Maranhão a Belo Horizonte, afirmou que o perfil foi criado apenas para gerar vendas.
"Nunca conversei com esse rapaz. [...] O perfil foi criado por mim com o intuito de fazer vendas no TikTok Shop, no Mercado Livre, no todo, como afiliado", disse.
Destaques:
- Homem viajou mais de 2 mil km para encontrar personagem IA
- Criador declara que o objetivo era vender produtos
- Perfil foi retirado do ar em 14 de outubro
Perfil criado para comércio digital
O administrador, que preferiu permanecer anônimo, contou ao G1 que desenvolveu a personagem em 2025 para atrair compradores para produtos anunciados na conta. Ele usava TikTok como única plataforma, embora vídeos da personagem também aparecessem no Kwai.
"Não sei se usaram o meu conteúdo em outro lugar para falar com esse rapaz, mas aqui nunca falei com ninguém. [...] Eu acho que ele viu algum vídeo e achou que o vídeo estava falando para ele ir, porém não houve conversa", afirmou.
Engajamento e promessa de relacionamento
A conta da personagem, chamada Jessica Oliveira, chegou a 300 mil seguidores no TikTok antes de ser removida na quarta‑feira, 14 de outubro. Nos vídeos, a IA se apresentava como viúva e fazia promessas como “eu quero te bancar” e “meu lindo, eu queria tanto você aqui morando comigo na minha fazenda”.
"Esses vídeos nunca foram feitos para causar esse tipo de transtorno na vida de ninguém. Os vídeos foram um gancho para chamar atenção, [para que] depois que eu conseguisse um público, começasse a postar vídeos sobre vendas", declarou.
Repercussão e risco de crime
Edimar Rocha Martins relatou medo após a repercussão do caso. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o uso de IA para criar perfis falsos não configura crime por si só, mas pode caracterizar estelionato ou fraude eletrônica se houver intenção de enganar e obter vantagem ilícita. Até o momento, não há registro de ocorrência relacionado ao caso.
"Dessa forma, não é possível afirmar, neste momento, que tenha ocorrido crime, tampouco apontar eventuais responsáveis, uma vez que a caracterização de infração penal depende da análise dos elementos concretos e da existência de indícios de conduta tipificada na legislação", disse a PCMG.
Recomendações da polícia
A PCMG divulgou orientações para evitar golpes envolvendo IA, entre elas: desconfiar de perfis que evitam encontros presenciais, não realizar transferências ou empréstimos a desconhecidos, verificar autenticidade de fotos por busca reversa e preservar evidências digitais em caso de suspeita.
O G1 tentou contato com TikTok, Kwai e Mercado Livre, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.