Circulam nas redes sociais postagens que afirmam que o governo Lula concedeu mais de 15% de reajuste ao Bolsa Família e apenas 6% de aumento ao salário mínimo, gerando críticas de trabalhadores.

"Mas esses enunciados omitem que o reajuste anterior do Bolsa Família havia ocorrido em 2023. E que, nesse mesmo período, o salário mínimo acumulou um aumento de 22,8%. Em 2024, o valor passou de R$ 1.320 para R$ 1.412. Em 2025, chegou a R$ 1.518. E, em 2026, subiu para R$ 1.621. O percentual de 6%, citado nos posts desta checagem, é próximo apenas do registrado na correção mais recente: 6,8% (de R$ 1.518 para R$ 1.621) – leia detalhes abaixo.", afirmou fonte do texto original.

Destaques:

  • Reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado em 17/09
  • Salário mínimo corrigido em 6,8% no último ajuste
  • Primeiro repasse dos novos valores previsto para 19/10

Anúncio do reajuste do Bolsa Família

Em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno da corrida presidencial, o governo federal divulgou aumento de 15% nos benefícios do Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 e a média de benefício de R$ 675 para R$ 777. O Ministério do Planejamento informou que o primeiro pagamento com os novos valores será em 19 de outubro.

Contexto da correção salarial

O governo afirmou que o ajuste não tem motivação eleitoral, mas busca recompor a perda de poder de compra causada pela inflação desde o último aumento, ocorrido em 2023. Dados do IBGE mostram que o INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%.

Comparação com o salário mínimo

O salário mínimo recebeu correção de 6,8%, passando de R$ 1.518 para R$ 1.621. Segundo o economista Carlos Eduardo Oliveira Jr, do Corecon-SP, a comparação correta deve considerar o período de três anos: o salário mínimo avançou 22,8%, enquanto o Bolsa Família teve recomposição de 15,04%.

"Para uma comparação adequada, o ideal é analisar a evolução acumulada do salário mínimo e do Bolsa Família entre 2023 e 2026, e não comparar o reajuste anual do mínimo com a recomposição acumulada de 15,04% aplicada ao programa social. Nesse critério, o salário mínimo teve um avanço de 22,8%, contra 15,04% do Bolsa Família", explicou Carlos Eduardo Oliveira Jr.

Reação nas redes sociais

Postagens no X e Instagram, a partir do final de setembro, mostraram imagem do presidente Lula segurando cartão do programa, acompanhada de críticas que questionam a política salarial do governo. As mensagens destacam a suposta disparidade entre os aumentos concedidos a quem não trabalha e a quem tem emprego formal.

Avaliação de especialistas

Economistas consultados pelo Fato ou Fake apontaram risco ao equilíbrio das contas públicas e questionaram o timing da medida, embora o Ministério do Planejamento tenha reiterado que a recomposição segue a variação inflacionária acumulada.

"A recomposição de 15% do benefício Bolsa Família corresponde a correção dos valores pela variação inflacionária acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, um período de 3 anos em que não houve reajuste. Isso não ocorreu com o salário mínimo, que manteve valorização real nos últimos 3 anos", declarou o Ministério do Planejamento por e‑mail.