O estado de Iowa, grande produtor de milho, soja e suínos, vê a qualidade da água e os índices de câncer como bandeiras nas eleições de meio de mandato (midterms) de 2024. Candidatos de ambos os partidos abordam o tema em debates, mesas‑redondas e propaganda, enquanto a disputa política reflete a divisão entre centros urbanos, que dependem de rios para abastecimento, e produtores rurais conservadores.

Água contaminada e pressão sobre agricultores

Fertilizantes químicos e dejetos animais liberam nitratos e fósforo que chegam aos rios após chuvas ou derretimento da neve. O problema gera tensão entre cidades progressistas, que dependem de água potável, e áreas rurais conservadoras. Embora alguns agricultores adotem práticas mitigadoras, críticos apontam falta de regulamentação que obriga moradores a arcar com a limpeza.

Câncer em alta e investigação estadual

Iowa registra a segunda maior taxa de novos diagnósticos de câncer nos EUA, com aumentos nos casos de próstata, mama e pulmão. Uma pesquisa financiada pelo governo estadual indica que tabagismo e consumo excessivo de álcool explicam parte da incidência, mas fatores ambientais, como nitratos, ainda serão avaliados.

“O verdadeiro problema é a água e os nitratos”, disse o democrata Josh Turek, candidato ao Senado, em conversa com pacientes com câncer.

Investimentos e respostas políticas

A governadora republicana Kim Reynolds e parlamentares destinaram US$ 320 milhões a obras de infraestrutura hídrica e incentivos à conservação. Parte dos recursos será usada para modernizar a Central Iowa Water Works, que manteve o sistema de remoção de nitratos em operação por 193 dias consecutivos, recorde histórico.

“A qualidade da água não é uma questão do campo. Não é uma questão das cidades, nem uma questão política”, afirmou Reynolds.

Candidatos e propostas

  • Josh Turek (Democrata): enfatiza a necessidade de água limpa e vincula a poluição a casos de câncer.
  • Ashley Hinson (Republicana): defende investimentos em infraestrutura e monitoramento, sem obrigar produtores a mudar práticas.
  • Zach Lahn (Republicano) e Rob Sand (Democrata): também colocam a água como prioridade, mas não propõem restrições diretas aos agricultores.

Desafios regulatórios

A EPA permite até 10 mg/L de nitrato em água potável, limite estabelecido para prevenir a síndrome do bebê azul. Estudos investigam possíveis ligações entre concentrações abaixo desse limite e câncer, mas a agência ainda não classifica nitratos como fator de risco.

A disputa nas midterms evidencia como questões ambientais podem influenciar a política eleitoral em regiões agrícolas dos EUA, colocando em foco a necessidade de soluções que conciliem produção e saúde pública.