Abertura
Uma operação liderada pelo Google, com apoio de empresas de segurança cibernética, desmantelou uma rede que controlava mais de 1,3 milhão de aparelhos sem o conhecimento dos usuários. A maioria dos dispositivos era composta por TV boxes Android. O Brasil ficou em segundo lugar entre os países mais afetados, atrás apenas da Malásia, segundo a Trend Micro.
Escala global da infecção
A rede atingiu 170 países, com destaque para Iraque, México e Taiwan. A Trend Micro identificou que a Malásia liderava o número de dispositivos comprometidos.
Origem e funcionamento do malware
A fabricante chinesa Videostrong, de Shenzhen, instalou intencionalmente o programa malicioso XCPE nos aparelhos antes da saída de fábrica. O código não dependia de cliques em links suspeitos; os dispositivos já chegavam ao consumidor com o vírus ativo.
A empresa vendia o acesso aos aparelhos a criminosos, que simulavam visualizações de anúncios para gerar receita publicitária e também comercializavam a conexão de internet dos usuários, desviando tráfego sem autorização.

Diversidade dos dispositivos afetados
Embora as TV boxes representem a maior parte, o Google encontrou o malware em equipamentos de telemedicina, máquinas de karaokê e sinalização digital.
Falha nos processos de certificação
Fabricantes que firmam contrato com o Google para oferecer serviços como Android TV precisam passar por testes de compatibilidade e segurança. A Videostrong usou técnicas para ocultar o programa e burlar essas verificações, permitindo que o código malicioso fosse carregado na primeira ligadura do aparelho.
"Um fabricante de dispositivos infectar intencionalmente seus usuários com malware é uma quebra inaceitável de confiança e representa um risco sério para esses usuários", disse o Google.
Medidas adotadas pelo Google e reações da Anatel
O Google rompeu relações com a Videostrong, proibindo a empresa de produzir e vender aparelhos Android certificados ou fornecer software a outros fabricantes. A companhia também revisou seu processo de avaliação para reforçar a proteção dos consumidores.
A Anatel, consultada pelo g1, ressaltou que combate a venda de produtos não homologados por risco à infraestrutura cibernética. Gesiléa Fonseca Teles, superintendente de fiscalização, afirmou que a ameaça vai além da qualidade do serviço, atingindo a segurança da rede nacional.
A Anatel não participou da operação, que contou ainda com a Agência Nacional de Polícia do Japão e as empresas Lumen, HUMAN Security, Plume, Synthient e TrendAI.