Presidente do Paraguai renuncia ao cargo em meio a crise política e econômica
Santiago Peña, presidente do Paraguai, entregou sua renúncia nesta quinta‑feira (5) e, de acordo com o Artigo 189 da Constituição, passará a exercer a função de senador vitalício, sem direito a voto, mas com participação em sessões e comissões.
"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem‑estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", disse.
Destaques:
- Renúncia de Santiago Peña e concessão de senadoria vitalícia
- Constituição do Paraguai garante o cargo a ex‑presidentes
- Imediata perda de foro privilegiado se houver impeachment
Crise bancária e processo de impeachment
Peña enfrentava um processo de impeachment apoiado por oposição e parte da base governista, motivado pela crise bancária do banco digital Ueno, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso aos recursos, totalizando aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos.
Em vídeo, o presidente pediu desculpas à população afetada e justificou a renúncia "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas".
Reações no Congresso e apoio político
O Congresso iniciou sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment; todas as bancadas anunciaram voto favorável. Aliados de Peña, incluindo o presidente do Congresso Basilio Nuñez, retiraram apoio ao presidente.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo.
A acusação, apresentada por 35 deputados, pede a convocação de sessão extraordinária para avançar no processo.
Desdobramentos da crise do Ueno
O banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, foi liquidado após o Banco Central identificar insuficiência de recursos para cobrir suas obrigações. Executivos foram presos e 27 pessoas foram acusadas formalmente pela Procuradoria, com bloqueio de bens ordenado pela Justiça.
Em publicação nas redes sociais, Peña afirmou que os responsáveis responderão à Justiça e pediu que "todos os setores políticos coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse".
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que o sistema financeiro continua operando normalmente, apesar de relatos de falhas em aplicativos de outros bancos.