
Fortaleza, capital do Ceará, foi cenário de um vídeo que vem sendo compartilhado como recente. O material mostra moradores carregando sacolas e baldes para buscar comida em um caminhão de lixo. Legendas nas postagens sugerem que a gravação ocorreu durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e alega falta de assistência social.
"Apesar de o vídeo ser real — e não uma produção de inteligência artificial (IA), por exemplo — o vídeo está fora de contexto. O registro foi originalmente gravado em 28 de setembro de 2021, durante o governo do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL) — leia mais abaixo.", afirmou o Fato ou Fake.
Destaques:
- vídeo gravado em 28/09/2021
- registrado durante o governo de Jair Bolsonaro
- divulgado como atual em 04/11/2023
Origem e data da gravação
A investigação utilizou a ferramenta InVID para dividir o material em frames e realizou busca reversa no Google Lens. O procedimento apontou para uma reportagem do g1 publicada em 18 de outubro de 2021, que descrevia a cena como ocorrida na porta de um supermercado no Bairro Cocó, área nobre de Fortaleza.
Divulgação nas redes sociais
O vídeo foi postado nas redes X e Facebook a partir de quarta‑feira, 4 de novembro de 2023, acompanhado de legendas que questionavam a política do presidente Lula e insinuavam um “regime comunista”. Entre as mensagens mais compartilhadas estavam: "Em Fortaleza, capital do Ceará, nordeste do Brasil, mulheres procuram comida no caminhão de lixo. @LulaOficial cadê a ajuda pra esse povo do qual você disse que tirou da pobreza?" e " GRAVE: Moradores procuram comida em caminhão de lixo em Fortaleza (CE)".
Depoimento das pessoas filmadas
Um ano após a gravação, o g1 entrevistou Jocasta Batista dos Santos, uma das mulheres presentes no vídeo. Ela declarou que ainda dependia dos alimentos encontrados no caminhão, evidenciando a vulnerabilidade social na região.

Contexto da checagem
A checagem demonstra que o conteúdo não é novo nem produzido por IA, mas foi retirado de 2021 e usado fora de contexto para alimentar narrativas políticas. O caso reforça a necessidade de verificação de origem antes de compartilhar material audiovisual nas redes.