O Copom manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira, encerrando o ciclo de cortes iniciado em 2022. A decisão foi recebida com críticas de membros do PT e de uma ala da equipe de governo, que alegam que o Banco Central cedeu às pressões do mercado.
Críticas ao Banco Central
Lindbergh Farias, vice‑líder do governo na Câmara, afirmou que o BC "sucumbiu às pressões do mercado". Segundo ele, se o candidato Flávio Bolsonaro fosse eleito, o mercado esperaria nova queda dos juros; com Lula, a redução foi interrompida, conforme decisão do Copom.
Propostas internas ao PT
Nos últimos dias, o PT trouxe à discussão a proposta do economista André Lara Resende, que defendia a redução da Selic para 7,5% ao ano em doze meses, acompanhada de um teto para a taxa de juros e para a meta fiscal. Economistas criticaram o plano, alegando falta de precedentes internacionais e risco ao país.
Perspectivas fiscais e indicações ao BC
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, trabalha com sua equipe em medidas para cumprir a meta fiscal de superávit primário de 0,5% do PIB no próximo ano. As propostas devem ser apresentadas ao presidente após seu retorno da COP 30, na Turquia, entre 9 e 12 de novembro.
Duas vagas na diretoria do Banco Central – de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro – estão abertas, com mais duas previstas para fevereiro (Política Monetária e Fiscalização). Dentro do PT, há defesa para que Lula indique diretores alinhados à redução da taxa de juros, embora interlocutores do presidente afirmem que não há intenção de interferir na autonomia do BC.
Próximo pronunciamento de Lula
Lula deve se pronunciar no domingo, prometendo responsabilidade fiscal e a manutenção de programas sociais, sem cortes. Assessores garantem que não haverá "estelionato eleitoral" no seu quarto mandato, termo usado para descrever promessas de campanha que não são cumpridas após a eleição.