O presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia nesta quinta‑feira (5), citando a necessidade de preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. A decisão ocorre em meio a um processo de impeachment que contava com apoio da oposição e de parte da base governista.
"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem‑estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", disse.
Destaques:
- Renúncia de Santiago Peña ao cargo de presidente
- Crise bancária do Ueno, que afetou cerca de 3 milhões de clientes
- Congresso iniciará votação de impeachment nas próximas sessões
Crise bancária do Ueno
A crise começou após o fechamento do banco digital Ueno na terça‑feira (3). O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, tinha aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A liquidação foi decretada pelo Banco Central por insuficiência de recursos para cobrir empréstimos a empresas vinculadas.
Pressão política e processo de impeachment
Na manhã de quinta‑feira, o Congresso abriu sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment. Todas as bancadas anunciaram voto favorável, e líderes como Horário Cortes e o presidente da Câmara Basilio Nuñez já haviam retirado apoio a Peña. A acusação, apresentada por 35 deputados, inclui conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo.
Consequências e próximos passos
Com a renúncia, o vice‑presidente Pedro Alliana assume a presidência, embora também enfrente processo de impeachment. Executivos do Ueno foram presos após mandados da Procuradoria, que acusou 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça bloqueou bens dos acusados e prometeu responsabilização.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou Peña em publicação nas redes sociais.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que o sistema financeiro continua operando normalmente, apesar de relatos de falhas em aplicativos de outras instituições.