Alunos que utilizam ferramentas do Google em sala de aula perderão o acesso ao buscador da empresa caso suas redes de ensino não aceitem a inteligência artificial (IA), informou a companhia na terça‑feira (3).
"Acreditamos que as escolas devem ter controle sobre o uso da inteligência artificial em suas salas de aula. Por isso, estamos oferecendo aos administradores ferramentas para ajudá‑los a gerenciar sua abordagem", afirmou Chris Phillips, vice‑presidente e gerente‑geral de educação do Google, em publicação no blog da empresa.
Destaques:
- acesso ao buscador condicionado ao uso de IA
- decisão anunciada por Chris Phillips, vice‑presidente de educação do Google
- escolas podem ativar ou desativar cada ferramenta individualmente a partir de agora
Mudança na configuração padrão
A empresa, sediada em Mountain View, Califórnia, deixou de definir a IA como configuração padrão para administradores escolares. Agora, escolas de ensino fundamental e médio podem ativar ou desativar separadamente Gemini, Gemini Notebook e o buscador, todos permanecendo desativados até que o administrador decida habilitá‑los.
Consequência para quem rejeita IA
Como o buscador está integrado à IA, escolas que optarem por não usar a tecnologia perderão o acesso ao serviço de busca do Google. O Google também anunciou atualização das ferramentas de busca para torná‑las "mais adequadas ao aprendizado", incluindo orientações passo a passo que evitam respostas prontas para tarefas escolares.
"Ainda assim, desativar completamente a inteligência artificial não será possível para as escolas que desejarem continuar utilizando os produtos do Google."
Reações de críticos e autoridades
A medida reacendeu críticas de educadores, especialistas em desenvolvimento infantil e pais. Em agosto, o Google ativou o chatbot Gemini para estudantes da educação básica, antes restrito a maiores de 18 anos. A decisão de terça‑feira gerou respostas imediatas.
"O Google está usando seu monopólio nas buscas para coagir as escolas a adotarem inteligência artificial. Isso evidencia o perigo de permitir que uma empresa monopolista, sem regulamentação, controle um serviço essencial", escreveu Lina Khan, ex‑presidenta da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), nas redes sociais.
Cidades como Nova York e Los Angeles já impuseram proibições temporárias ao uso de IA generativa em escolas de ensino fundamental, enquanto avaliam segurança e regulamentação.
Opiniões de especialistas
Josh Golin, diretor‑executivo da Fairplay, afirmou que a pressão do Google pode ter efeito contrário ao desejado, criando fidelidade à marca em vez de promover aprendizagem. Golin recomendou que escolas desativem não só a IA, mas todas as ferramentas do Google, e busquem alternativas de busca que ofereçam maior proteção à privacidade e incentivem pesquisas mais aprofundadas.