O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) informou nesta segunda‑feira (19) que a equipe econômica pretende realocar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 para viabilizar medidas de estímulo econômico anunciadas recentemente.
“Iniciativas de naturezas distintas, com diferentes fontes de financiamento e períodos de execução, não podem ser somadas indiscriminadamente”, afirmou a pasta.
Destaques:
- R$ 20 bilhões serão remanejados
- Decisão tomada pelo Ministério do Planejamento
- Proposta será enviada ao Congresso assim que houver relator
A realocação corresponde a pouco mais de 1% das despesas primárias sujeitas ao limite de gastos, segundo nota oficial. O valor será distribuído sem elevar o teto de despesas nem alterar a meta de resultado primário, que deve respeitar o arcabouço fiscal que limita o aumento dos gastos a 2,5% acima da inflação do ano anterior.
Proposta ao Congresso
A alteração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será encaminhada ao Congresso Nacional assim que for designado o relator do projeto. O governo ainda não detalhou quais despesas serão reduzidas nem quais áreas receberão os recursos remanejados.
Metas fiscais e superávit
O Plano de Diretrizes Orçamentárias de 2027 estabelece meta de superávit de 0,5% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. O Ministério do Planejamento reforçou que o resultado primário, diferença entre receitas e despesas antes dos juros da dívida, deve permanecer dentro da meta prevista.
Contexto das iniciativas
Entre as medidas previstas para 2027 estão mudanças em programas sociais, ampliação de benefícios educacionais, renegociação de dívidas e apoio a pequenos empreendedores. O Valor Econômico estima que o conjunto de propostas possa impactar R$ 53,6 bilhões em 2027, com R$ 45,7 bilhões em aumento de despesas e R$ 7,9 bilhões em redução de receitas, embora o Ministério conteste a soma indiscriminada desses valores.
“A realização das eleições não suspende as responsabilidades do Estado nem seu dever de proteger a população, garantir direitos e promover o desenvolvimento do país”, declarou o ministério.
O governo sustenta que o remanejamento busca manter o equilíbrio fiscal ao mesmo tempo que preserva políticas públicas, como proteção social, moradia, educação, transporte público e apoio a pequenos empreendedores, avaliando cada iniciativa conforme seus objetivos e impactos fiscais específicos.