O memorial do Clube da Esquina, no bairro Santa Tereza, foi vandalizado na madrugada de 23/09/2024. Placas que homenageiam os músicos foram cobertas com tinta vermelha, gerando indignação entre moradores e artistas.
Vandalismo e reação dos artistas
Yé Borges, irmão de Lô Borges, descreveu a situação como "difícil" e lamentou a violência contra o espaço cultural. Em entrevista à TV Globo, afirmou:
"Para mim é muito difícil. Vi nascer o Clube aqui na esquina. A gente jamais poderia imaginar que viraria uma referência no mundo. É muito triste, a violência não pode tomar conta das pessoas", afirmou.
Ele também condenou a intolerância política, dizendo que o voto não justifica agressões.
"Vote em quem você quiser, mas não precisa agredir ninguém. Não precisamos chegar a essas vias de fato, isso é péssimo para a sociedade. É o legado que vamos deixar para os nossos filhos, para as nossas crianças: o ódio", disse.
Possível motivação política
A coordenadora do projeto de tombamento, professora Graziela Viana, relatou que câmeras de segurança capturaram um carro próximo ao memorial, onde alguém jogou tinta nas placas. Ela mencionou ouvir gritos de "Fora Lula" na região, mas ressaltou a falta de provas conclusivas.
"A gente não sabe se tem conotação política, porque foram ouvidos ‘Fora Lula’", afirmou.
Graziela sugeriu que o ato pode ter sido premeditado, coincidindo com o segundo turno das eleições, marcado para 25 de setembro.
Histórico do memorial
O ponto, reconhecido como marco do movimento musical que inclui Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta, foi reinaugurado em dezembro de 2024 após reforma. O espaço agora abriga coworking, atividades culturais e placas na calçada em homenagem aos artistas.
O vandalismo ocorreu três dias antes do aniversário de Milton Nascimento, que completará 84 anos em 26 de setembro.
Apelo por paz
Yé Borges concluiu seu depoimento com um apelo à não violência:
"O ódio às vezes tenta me invadir, mas eu não deixo. O ódio gera ódio. A gente tem que emanar amor."