A aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, na quarta‑feira (14), põe fim à escala de trabalho 6x1, que deixa apenas um dia de folga semanal. A medida cria a jornada 5x2, reduz a carga horária de 44 para 42 horas em 60 dias e prevê nova redução para 40 horas em 14 meses.
A mudança beneficia milhões de brasileiros que trabalham seis dias por semana. Uma pesquisa da Nexus, realizada em fevereiro, mostrou que 73% da população apoia o fim da escala 6x1.
Depoimentos de quem vive a jornada 6x1
Adrielle, que trabalha há quase dez anos, relata a dificuldade de conciliar trabalho e família:
“Nessa escala 6x1, eu só tenho o domingo de folga, né? É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”, afirmou.
Yasmin Nascimento, auxiliar administrativo, espera que a nova lei permita mais tempo livre:
“É mais um dia de folga com a sua família, mais um dia que a gente pode usar para trabalhar, estudar. Enfim, a folga é da pessoa, ela sabe o que ela vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada.”

Cristiane Wandermuren, 56, lamenta a falta de tempo para saúde e família:
“Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico? Médico a gente normalmente vai no meio da semana... Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde”.
Experiências de quem já tem duas folgas
Simone Cunha de Oliveira, que trocou a escala 6x1 por 5x2 em uma escola, destaca a melhora na qualidade de vida:
“A qualidade de vida é bem melhor, você tem dois de descanso, você pode resolver seus problemas. Só um dia para fazer tudo o que você quer ou precisa, não tem condições”.
Ela ainda espera que a irmã, vendedora de automóveis, também consiga duas folgas semanais.

Maria Antônia de Carvalho, 63, aposentada, celebra a nova liberdade de tempo:
“Eu trabalhei na 6x1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada. Agora ficou maravilhoso, porque eu tenho mais tempo para mim, para minha família”.

Impactos e regras de transição
Luciana Machado, 65, alerta para possíveis aumentos de carga horária, mas a lei garante a escala 5x2 sem extensão de jornada:
“Com essa nova escala, tenho receio de que a pessoa tenha que aumentar o horário de trabalho durante a semana, como aconteceu comigo. Também pode ser que o funcionário perca dinheiro trabalhando um dia a menos”.
A PEC determina que, 60 dias após a promulgação, as empresas adotem a escala 5x2 e reduzam a jornada de 44 para 42 horas semanais. Em 14 meses, a carga será de 40 horas semanais, mantendo a mesma escala. O cálculo das horas extras será distribuído ao longo da semana, resultando em 8 horas e 24 minutos diários nos cinco dias de trabalho.
A transição não se aplica aos trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão regime diferenciado. Medidas complementares poderão ser criadas para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.