A aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, na quarta‑feira (14), põe fim à escala de trabalho 6x1, que deixa apenas um dia de folga semanal. A medida cria a jornada 5x2, reduz a carga horária de 44 para 42 horas em 60 dias e prevê nova redução para 40 horas em 14 meses.

A mudança beneficia milhões de brasileiros que trabalham seis dias por semana. Uma pesquisa da Nexus, realizada em fevereiro, mostrou que 73% da população apoia o fim da escala 6x1.

Depoimentos de quem vive a jornada 6x1

Adrielle, que trabalha há quase dez anos, relata a dificuldade de conciliar trabalho e família:

“Nessa escala 6x1, eu só tenho o domingo de folga, né? É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”, afirmou.

Yasmin Nascimento, auxiliar administrativo, espera que a nova lei permita mais tempo livre:

“É mais um dia de folga com a sua família, mais um dia que a gente pode usar para trabalhar, estudar. Enfim, a folga é da pessoa, ela sabe o que ela vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada.”

Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A ajudante de cozinha, Cristiane Wandermurin de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A ajudante de cozinha, Cristiane Wandermurin de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Cristiane Wandermuren, 56, lamenta a falta de tempo para saúde e família:

“Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico? Médico a gente normalmente vai no meio da semana... Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde”.

Experiências de quem já tem duas folgas

Simone Cunha de Oliveira, que trocou a escala 6x1 por 5x2 em uma escola, destaca a melhora na qualidade de vida:

“A qualidade de vida é bem melhor, você tem dois de descanso, você pode resolver seus problemas. Só um dia para fazer tudo o que você quer ou precisa, não tem condições”.

Ela ainda espera que a irmã, vendedora de automóveis, também consiga duas folgas semanais.

Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Maria Antônia de Carvalho fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Maria Antônia de Carvalho fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Maria Antônia de Carvalho, 63, aposentada, celebra a nova liberdade de tempo:

“Eu trabalhei na 6x1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada. Agora ficou maravilhoso, porque eu tenho mais tempo para mim, para minha família”.

Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Luciana Machado de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro (RJ), 15/10/2026 – A aposentada Luciana Machado de Oliveira fala à Agência Brasil sobre a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com da escala de trabalho 6x1, no centro do Rio de Janeiro. — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Impactos e regras de transição

Luciana Machado, 65, alerta para possíveis aumentos de carga horária, mas a lei garante a escala 5x2 sem extensão de jornada:

“Com essa nova escala, tenho receio de que a pessoa tenha que aumentar o horário de trabalho durante a semana, como aconteceu comigo. Também pode ser que o funcionário perca dinheiro trabalhando um dia a menos”.

A PEC determina que, 60 dias após a promulgação, as empresas adotem a escala 5x2 e reduzam a jornada de 44 para 42 horas semanais. Em 14 meses, a carga será de 40 horas semanais, mantendo a mesma escala. O cálculo das horas extras será distribuído ao longo da semana, resultando em 8 horas e 24 minutos diários nos cinco dias de trabalho.

A transição não se aplica aos trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão regime diferenciado. Medidas complementares poderão ser criadas para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.