Meredith Whittaker, presidente da Signal Foundation, rejeitou nesta semana as previsões de "apocalipse" da inteligência artificial que circulam na mídia. Ela afirmou que o perigo mais imediato vem do uso irresponsável da IA, não de uma suposta rebelião das máquinas.

"O risco é muito real", afirmou Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. "Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas."

Destaques:

  • Risco real ligado ao uso irresponsável da IA
  • Meredith Whittaker critica previsões catastróficas
  • Próximo passo: Signal manterá criptografia forte, mesmo sob pressão governamental

Caso de quase conflito militar

Whittaker citou um episódio noticiado pela CNN, no qual um chatbot usado pelos serviços de inteligência dos EUA teria gerado informações falsas sobre um navio chinês transportando material nuclear. Segundo a reportagem, o erro quase provocou uma resposta militar dos Estados Unidos.

"Quase entramos em guerra com a China", afirmou Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. "Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado."

Usuários do Signal e postura de privacidade

O Signal conta com entre 40 e 70 milhões de usuários, número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que tem cerca de 3 bilhões. Apesar da base menor, o aplicativo destaca-se pela proteção rigorosa da privacidade: seus servidores não armazenam a identidade dos remetentes, limitando o acesso de terceiros.

Pressões governamentais e princípios da fundação

Governos, incluindo o do Reino Unido, têm buscado maior acesso a mensagens em aplicativos como Signal e WhatsApp para proteger mulheres e crianças. Durante a London Tech Week 2026, o primeiro‑ministro britânico Keir Starmer propôs que as empresas bloqueiem imagens de nudez em dispositivos usados por menores.

Whittaker classificou a proposta como "um sistema sem precedentes de controle das comunicações e das informações" e reiterou que o Signal deixaria de operar em qualquer país que exigisse o enfraquecimento de sua criptografia.

"Sim! Meu Deus, eu tenho princípios", respondeu Whittaker. "Eles não mudam conforme meu humor. Nem por orientação de consultores."

Apoio de organizações de direitos humanos

A Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC) alerta que crianças são aliciadas em plataformas de criptografia de ponta a ponta. Rani Govender, responsável pela segurança infantil na internet, destacou que as empresas de tecnologia não podem ignorar os riscos de suas escolhas.

No sul da Ásia, a fundadora da Chayn, Hera Hussain, reforçou que, em tempos de vigilância estatal, o Signal funciona como "uma ferramenta de sobrevivência" para mulheres que enfrentam violência de gênero.

Histórico de Whittaker no debate sobre IA

Whittaker foi apontada pela revista Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA. Ela participou de protestos contra o Projeto Maven do Google em 2017, que desenvolvia sistemas de IA para identificar alvos de drones, e ajudou a mobilizar cerca de 20 mil funcionários na paralisação que forçou a empresa a abandonar o contrato, posteriormente assumido pela Palantir.

A fundadora continua a alertar sobre os perigos de dados de má qualidade e decisões automatizadas, reforçando que a privacidade das comunicações protege indivíduos de ameaças variadas, desde maridos abusivos até governos autoritários.