Elon Musk, fundador da SpaceX, lançou a Starlink para levar internet de alta velocidade a áreas sem cabos ou fibra ótica. Hoje, a constelação conta com quase 10 mil satélites a cerca de 550 km de altitude, oferecendo baixa latência e cobertura em regiões remotas.

Destaques:

  • quase 10 mil satélites em órbita baixa
  • uso militar e humanitário em zonas de conflito
  • expansão de concorrentes com lançamentos previstos para 2024

Expansão do uso em conflitos

Desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Starlink passou a ser uma das principais ferramentas de comunicação para militares, hospitais e serviços de emergência. O Ministério da Defesa ucraniano trabalha com a SpaceX para impedir o uso não autorizado por forças russas.

No Sudão, as Forças de Apoio Rápido (RSF) utilizam dispositivos contrabandeados, enquanto o Exército estatal tenta bloquear a importação. Na Faixa de Gaza, organizações humanitárias e um hospital de campanha dependem da rede desde julho de 2024, embora o acesso civil permaneça restrito por questões de segurança israelense.

Controvérsias e críticas

A dependência de um único fornecedor gera influência política: Musk já recusou ativar o serviço para a Ucrânia em um ataque próximo à Crimeia, e o ex‑presidente Donald Trump ameaçou desligar satélites para pressionar Kiev.

Especialistas apontam impactos ambientais: um ou dois satélites se desintegram diariamente, liberando óxido de alumínio que pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global. A reflexão da luz solar pelos satélites também altera o brilho do céu noturno, afetando a vida selvagem.

Concorrência e futuro do mercado

Na Europa, a Eutelsat desenvolve a rede IRIS², prevista para operar a partir de 2029, enquanto a OneWeb opera com mais de 600 satélites focados em clientes corporativos.

Nos EUA, a Amazon, liderada por Jeff Bezos, prepara o serviço Amazon Leo, com mais de 3 mil satélites e lançamento comercial ainda este ano, inclusive no Brasil via parceria com a Sky.

A China avança com dois projetos — Guowang (até 13 mil satélites) e Qianfan (cerca de 12 mil satélites) — com lançamentos em massa programados para 2024, indicando que os céus ficarão cada vez mais congestionados.