Ceará registrou 191 casos de trabalho infantil neste ano, mas o panorama nacional mostra uma queda significativa. O IBGE informou que, em 2025, 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil, 9,2% a menos que em 2024. Essa é a menor proporção já observada desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2016.
Destaques:
- queda de 9,2% no número total de crianças e adolescentes em trabalho infantil
- redução de 151 mil casos em relação ao ano anterior
- 4,4% das crianças de famílias beneficiárias do Bolsa Família ainda em situação de trabalho infantil
Redução histórica e perfil dos afetados
Em 2016, o país tinha 2,1 milhões de menores em trabalho infantil, equivalente a 5,2% da população da faixa etária. Em 2025, a proporção recuou para 4%, representando cerca de 151 mil crianças a menos. Apesar da queda, mais de um terço (cerca de 525 mil) ainda realizava atividades nas chamadas piores formas de trabalho infantil, que comprometem saúde e desenvolvimento.
A classificação segue a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), prevista no Decreto nº 6.481/2008, que inclui trabalhos com máquinas perigosas, produtos químicos e condições insalubres. Em comparação com 2024, houve redução de 6,3% nesse grupo, e em relação a 2016, a diminuição acumulada chega a 42,9%.
Distribuição por idade, sexo e raça
Adolescentes de 16 a 17 anos concentraram 58,1% dos casos, totalizando 871 mil jovens, ou 14,5% da população dessa faixa etária. Entre 14 e 15 anos, havia 348 mil casos (5,9% da faixa), e entre 5 e 13 anos, 280 mil (1,1%). No último grupo, 190 mil crianças estavam envolvidas apenas em atividades de consumo próprio.
Os meninos representavam 65,4% dos menores em trabalho infantil, enquanto pretos ou pardos somavam 67%. A maioria dos casos nas piores formas era masculina (72,6%) e de cor preta ou parda (68,3%).
Impacto do Bolsa Família e desigualdades regionais
A queda foi liderada por famílias beneficiárias do Bolsa Família: de 2024 para 2025, o número de jovens em trabalho infantil nessas famílias diminuiu 20,1%, correspondendo a 144 mil casos, mais de 95% da redução total.
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior número absoluto de casos (481 mil), mas o Norte apresentou a maior taxa proporcional (6,3%), enquanto o Sudeste registrou a menor (3,3%).
Fiscalização e limites da redução
A fiscalização federal realizou 10.234 ações em 2025, afastando 4.318 menores do trabalho infantil – o maior número em uma década. Minas Gerais e São Paulo lideraram os afastamentos com 830 e 629 casos, respectivamente.
Apesar dos avanços, ainda há 525 mil menores em piores formas de trabalho, e a taxa de escolarização entre eles é de 86,9%, abaixo dos 97,5% da população geral. A renda média mensal desses jovens é de R$ 936, com diferenças marcantes entre quem estuda (R$ 844) e quem abandonou a escola (R$ 1.326).
A queda não indica solução definitiva, mas evidencia a necessidade de políticas integradas que combinem proteção social, fiscalização efetiva e acesso à educação de qualidade.