Terezinha Nunes Fonseca da Silva, 71 anos, morreu poucos minutos após ser liberada da UPA de Sete Lagoas na madrugada de 28 de setembro. A família acusa negligência no atendimento e a prefeitura afastou um médico, enquanto a conduta de outro profissional segue sob investigação.

Chegada e primeiros atendimentos

Aos 12h30 de 27/09, Terezinha chegou à UPA acompanhada da filha, reclamando de fortes dores nas pernas e nas costas. Foram realizados diversos exames, que, segundo o médico responsável, não apresentaram alterações.

Alta revogada e nova emergência

A idosa recebeu alta, mas a irmã decidiu não levá‑la para casa, alegando necessidade de cuidados adicionais. Conforme relato do filho, Adriano Nunes da Silva:

"Minha irmã se recusou a trazer ela pra casa e informou ao médico a situação dela. Então, o médico retirou a alta", contou.

A paciente foi então encaminhada para a sala vermelha, destinada a emergências, onde sentiu forte dor no peito que se estendia ao braço e costas.

"No momento que ela começou a sentir essa essa grande dor no peito, que se estendia para o braço e pelas costas, minha irmã gritava desesperadamente, procurando os médicos, por pedido de ajuda", disse.

Troca de plantão e diagnóstico

Durante a permanência na sala vermelha, ocorreu troca de plantão. Adriano questionou o novo médico e foi retirado do local. Posteriormente, a idosa foi levada para outra área, em frente a um consultório, onde recebeu diagnóstico de infecção urinária e anemia por parte de uma médica.

Alta e falecimento

Na madrugada de 28/09, Terezinha recebeu alta novamente. O filho a colocou no carro e, após cerca de cinco minutos de trajeto, ela morreu em casa.

"Ela deitou e simplesmente suspirou pela última vez. Nesse momento, eu já percebi que ela não tinha pulsação e que ela não respirava mais", relatou.

Adriano tentou massagem cardíaca, sem sucesso, e descreveu a situação como um descaso da equipe médica.

"Estamos muito tristes... estamos chateados devido ao descaso que nós tivemos de toda a parte médica da UPA... Nós brigamos o tempo inteiro, imploramos, pedimos ajuda, fizemos de tudo para que minha mãe tivesse sido atendida de uma forma respeitosa", lamentou.

Reação da prefeitura e investigação

O secretário de Saúde de Sete Lagoas, Jean Barrado, informou que a prefeitura adotou medidas administrativas após alerta do SAMU. O comitê de investigação de óbitos e o comitê de ética da unidade estão apurando a conduta de dois médicos. Inicialmente, a informação era de desligamento; Barrado esclareceu que o profissional foi afastado durante a apuração.

"Toda a equipe envolvida no atendimento dela será escutada... A Secretaria de Saúde lamenta muito o ocorrido. A prefeitura já se colocou à disposição também da família para quaisquer necessidades", afirmou o secretário.

A família espera que a investigação esclareça os fatos e que responsabilidades sejam identificadas, reforçando o pedido de justiça.

"A única coisa que eu espero é que seja feita a justiça, porque a minha mãe não pode voltar mais", declarou Adriano.